Executivo
Pode faltar vacina da Coronavac para a 2ª dose em 63 municípios paraibanos
09/05/2021 09:36
Suetoni Souto Maior
Redução da idade atendida deve ocorrer de forma gradativa, diz prefeitura. Foto: Divulgação/ABr

O governo do Estado despachou neste sábado 16,9 mil doses da vacina Coronavac para ser distribuída aos municípios. Apesar de o ato ser muito comemorado, ainda há riscos de falta de imunizantes para a segunda dose em 63 cidades paraibanas. Nestes casos, os gestores admitiram, por meio de ofício ao governo, que usaram as doses que seriam destinadas à segunda etapa da vacinação na primeira. Resultado: eles tendem a ficar sem o imunizante para concluir a vacinação dentro do prazo e o caso só terá solução quando o Instituto Butantan retomar a produção.

A relação dos municípios não foi revelada, mas não é possível culpá-los pelo ato. Eles caíram no conto do vigário do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para quem a segunda dose não deveria ser guardada. Houve até uma guerra midiática com a participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra governadores e prefeitos em abril, com acusação de que eles estariam estocando vacinas. Isso sob o argumento do governo federal de que não faltariam imunizantes do Coronavac para a aplicação da segunda dose. Mas o governo federal estava errado.

A Paraíba aplicou até agora 1.077.559 vacinas, sendo 713.119 da primeira dose e 364.400 da segunda. A maior parte dos imunizantes foram do Butantan. Daí vem o problema. O diretor do Instituto, Dimas Covas, afirmou na última quinta-feira (6) que não deve ter mais doses da vacina Coronavac a partir de 14 de maio. Ele atribuiu o atraso na chegada do insumo farmacêutico ativo (IFA), fundamental para a produção dos imunizantes, à postura do governo federal com a China, principal fornecedora dos insumos.

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Dimas Covas reclamou da falta de diplomacia do governo federal com o país asiático e demonstrou preocupação com o impacto de declarações recentes de ministros e do próprio presidente Jair Bolsonaro sobre o país. O presidente, sem citar nome, insinuou que a China pratica guerra bacteriológica para prejudicar a economia de outros países. O caso acabou gerando um incidente diplomático, fazendo com que ministros de governo e parlamentares procurassem a embaixada chinesa para baixar a temperatura.

O risco de falta de vacina fez com que o Ministério Público Federal na Paraíba entrasse com uma ação no mês passado contra o governo federal. O pedido era para que fossem garantidas vacinas suficientes pelo governo federal para que se respeitasse o prazo em bula para a segunda dose. Ou seja, ela deveria ser aplicada entre 14 e 28 dias. Acontece que o atraso foi muito maior. A juíza federal Cristina Costa Garcês, da 3ª Vara Federal da Paraíba, determinou que o governo federal enviasse doses extras para corrigir o problema.

As doses chegaram, porém, novos problemas foram registrados e o risco voltou a existir. O problema acontece quando a ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para o tratamento da Covid-19 volta a crescer. A ocupação em Campina Grande é de 73%, no Sertão de 71% e na Região Metropolitana de João Pessoa, de 51%. O número de mortos no Estado até agora é de 7.018. “Estamos ficando com espera, tendo que transbordar para a 1ª (macro) por falta de vaga. E a demanda da 2ª macro está enorme”, diz Geraldo Medeiros.

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