A política nacional viveu nesta terça-feira (9) mais um dia triste, com um parlamentar sendo arrancado da cadeira de presidente onde havia se amotinado. Houve também jornalistas empurrados por seguranças (alguns falando em agressão) e confusões em série. E no meio de tudo isso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), que precisou usar as redes sociais minutos depois para se justificar, protestando contra o colega Glauber Braga (Psol-RJ), por “desrespeitar” a Câmara dos Deputados.
Vale dizer: a atitude de Motta, adotada para preservar o simbolismo da cadeira de presidente, não é necessariamente incorreta (salvo os exageros). Ela, no entanto, tem gerando estranheza na imprensa e na classe política por divergir da postura passiva adotada em agosto, quando deputados bolsonaristas ocuparam a mesma cadeira da presidência cobrando anistia para os golpistas do 8 de janeiro e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Naquele episódio, Júlia Zanatta (PL-SC), Marcel van Hattem (PL-RS), Marcos Pollon (PL-MS), Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Zé Trovão (PL-SC) não foram molestados. Pior, até agora não sofreram qualquer punição. O ato de hoje foi grave do ponto de vista simbólico? Sim! Mas o dos bolsonaristas foi ainda pior. Glauber tenta se livrar de uma cassação de mandato no Conselho de Ética. Os oposicionistas buscavam a liberdade de quem atentou contra a democracia.
Se vale punir Glauber agora, valeria aproveitar a oportunidade e aplicar a mesma métrica em relação ao grupo que chegou a peitar Motta quando ele tentou assumir a cadeira na volta dos trabalhos, em agosto. Para desocuparem a cadeira, foi preciso uma solução negociada por Arthur Lira (PP), antecessor do deputado paraibano.
Já que agora o deputado carioca vai ser punido, que a punição seja a mesma para todos.
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