Legislativo
Hugo Motta integra ‘grupo restrito’ de deputados que mais indicam emendas ao orçamento
20/04/2026 09:20

Suetoni Souto Maior

Hugo Motta preside a Câmara dos Deputados. Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), aparece no centro de um grupo restrito que concentrou uma fatia expressiva das emendas de comissão ao Orçamento em 2025. Levantamento feito pela Folha de São Paulo mostra que apenas sete deputados foram responsáveis por indicar R$ 1,5 bilhão desse tipo de recurso — o equivalente a um quinto dos R$ 7,5 bilhões distribuídos pelas comissões da Casa. Entre eles, Motta figura como o segundo parlamentar que mais destinou verbas: R$ 180,5 milhões.

Os números chamam atenção não apenas pelo volume, mas pelo destino dos recursos, segundo a Folha. Quase metade das emendas indicadas por Motta foi direcionada a municípios cujos prefeitos declararam apoio público à pré-candidatura ao Senado de Nabor Wanderley (Republicanos), seu pai. Ex-prefeito de Patos, Nabor já afirmou contar com o respaldo de cerca de 150 prefeitos paraibanos na disputa.

A concentração de recursos reforça o peso político de Motta no comando da Câmara e dentro do Republicanos. À frente da Casa, ele opera em um ambiente onde lideranças partidárias e presidentes de comissões acabam tendo mais margem para indicar verbas — algo que, na prática, amplia o poder de articulação nos estados e fortalece projetos eleitorais. Procurado, Motta afirmou que a distribuição das emendas segue critérios definidos entre os Poderes e dentro dos partidos. Segundo ele, os recursos priorizam áreas estruturantes, como saúde e infraestrutura, e obedecem à proporcionalidade das bancadas.

Apesar disso, a disparidade incomoda. Enquanto os sete deputados superaram a marca de R$ 100 milhões em indicações, a grande maioria dos mais de 400 parlamentares ficou, em média, com cerca de R$ 14 milhões — e nenhum deles ultrapassou R$ 80 milhões.

Hugo Motta foi superado apenas pelo deputado federal Julio Arcoverde (PP-PI), com R$ 244,3 milhões em emendas indicadas em 2025. Ele presidiu a CMO (Comissão Mista de Orçamento) do Congresso, responsável por votar os projetos de lei orçamentários.

Nos bastidores, há críticas de que o acordo interno previa uma divisão mais equilibrada, ainda que reconhecendo um peso maior para nomes com protagonismo político. A diferença, porém, foi além do esperado e só ficou evidente ao longo do ano, com a liberação fragmentada das verbas.

Outro ponto sensível envolve a transparência. As emendas de comissão, que até 2024 eram consideradas “secretas”, passaram a ter identificação obrigatória após decisões do STF. Ainda assim, parte dos recursos continua sendo indicada em nome das lideranças partidárias — o que, na prática, dificulta identificar o verdadeiro padrinho político.

Em 2025, cerca de R$ 1,1 bilhão foi distribuído dessa forma. Dentro desse modelo, o Republicanos — partido de Hugo Motta — aparece entre as siglas que concentraram valores relevantes, ao lado de PP, União Brasil e PL.

No pano de fundo, o que se desenha é um cenário em que o controle das emendas segue como instrumento central de poder político. E, nesse jogo, Hugo Motta surge como um dos principais operadores.

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