O Ministério Público Eleitoral (MPE) quer a cassação do prefeito reeleito de Alhandra, Marcelo Rodrigues (MDB), e de sua vice, Zilda do Varejão (PP). O motivo? Abuso de poder político, econômico e de autoridade nas eleições de 2024. O parecer, assinado pela promotora eleitoral Erika Bueno Muzzi, foi emitido nesta terça-feira (15) e é categórico: houve um verdadeiro festival de ilegalidades.
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi movida por Elivaldo Firmino (PSB), candidato derrotado no pleito. No documento, a promotora detalha o uso da máquina pública para turbinar a campanha da chapa que acabou eleita.
Entre os pontos destacados estão a distribuição de auxílios financeiros sem critérios técnicos, contratações temporárias em massa ignorando concurso público e o uso indevido de eventos e estruturas públicas para promoção pessoal.
Os números impressionam: em 2023, ano pré-eleitoral, a gestão distribuiu R$ 2,13 milhões em auxílios financeiros. Em 2024, ano da eleição, o valor saltou para R$ 2,6 milhões — quase meio milhão a mais. Em setembro, um mês antes da votação, os gastos começaram a cair: R$ 406 mil em setembro, R$ 355 mil em outubro, e ainda menos em novembro. Para o MPE, a oscilação revela o uso eleitoreiro da verba pública.
Outro ponto crítico são as contratações temporárias: foram 877 em 2021, 1.030 em 2022, 1.073 em 2023 e 1.148 em 2024. “O que deveria ser temporário vinha criando raízes”, diz o parecer. Tudo isso enquanto os aprovados em concurso seguiam sem nomeação e recorriam à Justiça para garantir seus direitos.
E tem mais: segundo a ação, eventos como a festa de Emancipação Política e da padroeira da cidade foram usados como palanque eleitoral. Houve distribuição de comidas, bebidas, camarotes estilizados, adesivos de campanha e até outdoor com os nomes dos então candidatos, pagos com dinheiro público.
O MPE foi direto ao ponto: quer a cassação dos mandatos e a inelegibilidade de Marcelo Rodrigues e Zilda do Varejão por oito anos.
Agora, a bola está com a Justiça Eleitoral. Cabe ao juiz da 73ª Zona Eleitoral decidir se acolhe o parecer — que, convenhamos, é de uma contundência rara.
Por: Beatriz Souto Maior
Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni