Uma mulher é assinada no Brasil a cada seis horas, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). E é diante disso que o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), junto a outros órgãos governamentais, tem dedicado grande atenção à discussão do enfrentamento ao feminicídio. Mas todo esse esforço cai por terra quando essa mesma Justiça falha no dever de proteger o cidadão. Nesta quinta-feira (7), uma servidora da Câmara de João Pessoa seguia logo cedo para o trabalho e por muito pouco não foi assassinada no trajeto.
O caso ocorreu quando ela trafegava pela Avenida Tancredo Neves. Ao parar num sinal, um homem emparelhou o carro e começou a gritar e ameaçá-la. Alegava confusamente alguma questão de trânsito, algo que ela nem chegou a entender. O sinal abriu, a servidora seguiu apressada para não ser mais importunada e foi surpreendida com um tiro. A bala entrou pela porta lateral traseira, perfurou o banco e caiu no solo após atingir outra parte metálica do veículo. Em pânico, ela parou o carro, após quase ser morta. Ainda teve forças para fotografar o carro do agressor em fuga. Possivelmente, o homem achou que a tinha matado.
Com a foto, ela acionou a Polícia Militar, que fez buscas e, diligentemente, prendeu o suspeito. O motorista se chama Mário de Oliveira da Silva. Ele usava uma pistola 9mm, que, apesar de registrada, o condutor não tinha permissão para levá-la no carro. A servidora da Câmara prestou depoimento, contou todos os detalhes do que vivera naquela manhã. Ela saiu de casa para trabalhar e por muito pouco não foi morta. Após depor, achou que tudo estava resolvido. O homem já estava preso e responderia pela tentativa de homicídio.
Mas não foi bem assim. Horas depois, o suspeito dos disparos foi solto na audiência de custódia. Está livre para ir e vir como quiser pelo trânsito de João Pessoa. À servidora da Câmara, ainda apavorada, restará apenas o medo de engrossar as estatísticas dos casos de feminicídio no Brasil.
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