Judiciário
“Big Brother do crime”: Fantástico mostra que Fatoka instalou câmeras para controlar tráfico em Cabedelo
10/05/2026 21:54

Suetoni Souto Maior

Câmeras são encontradas em postes de iluminação e em casas, disfarças para não serem percebidas. Foto: Reprodução/Fantástico/Rede Globo

O traficante Flávio de Lima Monteiro, o Fatoka, de 43 anos, ficou conhecido como peça-chave do entrelaçamento do crime organizado com o poder público, na Paraíba. Procurado pela polícia e refugiado no Complexo do Alemão, no Rio, todos sabiam que ele continuava a controlar o crime em Cabedelo, onde comanda a Tropa do Amigão, braço do Comando Vermelho na cidade.

O que não se sabia, até agora, era como este controle era feito. Reportagem do Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (10), mostrou que este controle era feito através de câmeras clandestinas instaladas em postes e casas da cidade. Através delas, simulando um grande Big Brother do crime, ele controlava tudo o que acontecia nas áreas dominadas pelo Comando Vermelho.

O modus operandi foi descoberto pela Polícia Federal e Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Operações recentes apontam que o Comando Vermelho teria infiltrado pessoas em pontos estratégicos da prefeitura do município. O caso resultou no afastamento do prefeito eleito da cidade, Edvaldo Neto (Avante), dois dias após ser eleito.

A reportagem mostrou que as pessoas na cidade têm medo de gravar entrevistas ou falar sobre o assunto. João Marcos Gomes Cruz Silva, delegado regional de Polícia Judiciária da PF na Paraíba, afirma que “a cidade de Cabedelo, infelizmente, ela vive um colapso institucional”. Leonardo Quintans, procurador-geral de Justiça do MPPB, complementa: “A sociedade fica refém, a sociedade perde sua liberdade, a sociedade passa a ser comandada por esse poder paralelo”.

Segundo as investigações, integrantes do Comando Vermelho monitoram a rotina de Cabedelo a partir do Rio de Janeiro. De lá, alguém vê tudo. Áudios obtidos mostram a organização do monitoramento: “Tem 30 câmeras geral”. Um integrante, ao mostrar o monitoramento de câmeras por vídeo, diz: “Oi, família. Minha visão de cria aqui. Só paz e tranquilidade”. Para a polícia, trata-se de um “home office do crime organizado”.

O Complexo do Alemão reúne 13 favelas na Zona Norte do Rio e, nas investigações, um nome aparece com frequência: Flávio de Lima Monteiro, o Fatoka. Aos 43 anos, ele começou na facção Nova Okaida, na Paraíba, e depois fundou a Tropa do Amigão, um dos braços do Comando Vermelho no Nordeste. Contra ele, há 13 mandados de prisão por tráfico, homicídios e organização criminosa. Fatoka chegou a ficar preso no Presídio de Segurança Máxima da Paraíba, mas fugiu em setembro de 2018 em uma fuga em massa de 92 detentos que usaram explosivos. Capturado novamente, conseguiu uma medida judicial para liberdade com tornozeleira eletrônica em 2022. No mesmo dia em que o dispositivo foi instalado, ele o rompeu e fugiu para o Rio de Janeiro.

Confira a matéria completa no site do Fantástico

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