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Regina Duarte critica Dia da Consciência Negra e, lógico, gera polêmica
21/11/2021 21:58
Suetoni Souto Maior
Regina Durarte olha a realidade do Brasil de dentro da Casa Grande. Foto: Divulgação/Agência Brasil

A atriz Regina Duarte causou polêmica neste domingo (21) por causa de publicação no Instagram. Nela, a ex-ministra da Cultura do governo Jair Bolsonaro (sem partido) questionou a existência do Dia da Consciência Negra. A data é dedicada à reflexão sobre o racismo estrutural no Brasil. Ela publicou um vídeo antigo do ator norte-americano Morgan Freeman, no qual ele defendia que o tema racismo não fosse mais discutido, apenas se buscasse a igualdade independente da etnia. Acontece que além de equivocada, a fala do ator foi revista por ele mesmo, que aderiu ano passado ao movimento Black Lives Matter.

“Quando teremos o Dia da Consciência Branca , Amarela, Parda…? Quanto tempo vamos ainda nos vitimizar ao peso de anos, de séculos de dor por culpas antepassadas ? Quando vamos parar de olhar pra trás e enfrentar o hoje e nós olharmos com a coragem da cara limpa? maduros, evoluídos , conscientes de nossa luta , irmanados em nossa capacidade, de sermos … HUMANOS? Simplesmente IRMÃOS?”, publicou a atriz na legenda do vídeo, que foi seguido de diversos comentários críticos e algumas concordâncias entre os fãs.

Veja a publicação no Instagram da atriz

A atriz ignora no seu comentário que a chamada à discussão existe para que se enfrente, de fato, um problema histórico. Varrer as ofensas para debaixo do tapete não vai acabar com o racismo. Ele se manifesta no dia a dia quando observamos os melhores empregos serem ocupados majoritariamente por brancos. As universidades atualmente têm um pouco mais de diversidade étnica, porém, ainda muito longe do necessário. Basta observar que as cotas colocaram mais negros e índios nas universidades, mas a grande maioria bem distante de cursos como medicina e direito.

A visão de Regina Duarte é similar à de várias pessoas com quem convivo no dia a dia. Há uma coincidência muito grande entre a opinião contrária às cotas e outras políticas afirmativas e a tonalidade mais alva das peles. Há, claramente, uma porção saliente de cinismo na posição de quem diz que o mundo virou careta e que “tudo agora é racismo”. Isso vem de pessoas que acham que o racismo vai sumir se ninguém falar nele. É uma visão conveniente e similar à de quem olha para um judeu e pede para ele esquecer o holocausto.

Regina Duarte, aos 74 anos, sem enxergar o próprio umbigo, insiste em olhar o mundo de dentro da Casa Grande…

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