Executivo
Em meio a ironias sobre Flávio, Michelle Bolsonaro chama Alexandre de Moraes de “irmão em Cristo”
20/05/2026 15:48

Suetoni Souto Maior

Michelle Bolsonaro é cotada para substituir Flávio nas urnas. Foto: Rovena Rosa/ABr

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) brincou, nesta semana, ao se referir ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “irmão em Cristo”. O magistrado foi o principal “algoz” do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no processo que resultou na prisão dele por golpe de estado. Ao falar de decisão recente do ministro, ela contemporizou.  

O episódio ocorreu nesta terça-feira (19), no lançamento da pré-candidatura de uma apoiadora.  “Nosso ministro… Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro, e ele [Bolsonaro] está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, aqueles olhos azuis brilhantes”, disse Michelle, ao fazer uma referência bíblica.

Na sequência, Michelle disse que, “brincadeiras à parte”, sua atuação política nos últimos anos não mirou uma candidatura nacional, mas, sim, a eleição do maior número de mulheres pelo Brasil.

“Quero falar para vocês que aceitei um desafio muito grande de percorrer o Brasil. E não era porque eu queria uma candidatura nacional, não. Eles falam, eles nem sabem o que falam. Nós percorremos um ano para que a gente pudesse fortalecer e tivesse tempo para eleger o maior número de mulheres pelo Brasil”, afirmou.

As declarações foram dadas durante o lançamento da pré-campanha da doceira Maria Amélia, pré-candidata a deputada federal pelo Distrito Federal e de quem Michelle é amiga.

A ex-primeira-dama foi uma das principais articuladoras da ofensiva pela prisão domiciliar humanitária do marido. Ela se encontrou em mais de uma ocasião com Alexandre de Moraes, relator da trama golpista no Supremo, para pedir que o ministro autorizasse a transferência da Papudinha.

Em 23 de março, a ex-primeira-dama foi até o gabinete de Moraes para reforçar o pedido. Um dia depois, ele concedeu a medida. Na época, Bolsonaro estava internado para se recuperar de uma broncopneumonia nos dois pulmões.

A domiciliar foi autorizada inicialmente por 90 dias, até a recuperação completa do ex-presidente.

“O bônus é de todos aqueles que foram até o STF, até o ministro Alexandre de Moraes, interceder por essa prisão domiciliar. Não tem uma pessoa que tirou o Bolsonaro do batalhão. São várias. Todos aqueles que intercederam em oração e pessoalmente junto ao ministro”, declarou Michelle depois de receber o marido em casa.

Na ocasião, ela afirmou que ainda não havia necessidade de procurar novamente o ministro para pedir a extensão do prazo. Os dois voltaram a se encontrar pessoalmente e se cumprimentaram durante a posse de Kassio Nunes Marques na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), quando Michelle sentou-se ao lado da mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci –que prestou serviços ao Banco Master.

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