Judiciário
Queiroga nega ‘golpismo’ de Bolsonaro em reunião ministerial que discutiu ataque às urnas e possível ‘virada de mesa’
17/02/2024 07:31
Suetoni Souto Maior
Marcelo Queiroga (D) ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

O ex-ministro Marcelo Queiroga (Saúde) foi um dos poucos ex-auxiliares do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a se pronunciarem em defesa do ex-chefe após a operação Tempus Veritatis, desencadeada pela Polícia Federal, na semana passada. O fato gerador da ação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi uma reunião ministerial ocorrida em julho de 2022, com a presença de Queiroga, na qual, segundo relato do magistrado, houve articulação para ataques às urnas eletrônicas e discussão sobre eventual “virada de mesa” em caso de derrota de Bolsonaro no pleito.

Dos 31 participantes ouvidos pela Folha de São Paulo, apenas Queiroga e Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) se pronunciaram em matéria divulgada neste sábado (17) pelo veículo. Pré-candidato a prefeito de João Pessoa pelo PL do ex-presidente, o ex-ministro da Saúde disse que “não houve nessa reunião, e em nenhuma outra, tratativa de golpe ou coisa parecida”. “As afirmações em contrário servem à narrativa da esquerda para tentar perseguir as lideranças do PL, que é o maior partido do Brasil”, prosseguiu o postulante na defesa de Bolsonaro.

Nesta reunião, meses antes das eleições, o ex-presidente previu a vitória de Lula (PT) nas urnas e defendeu que seus auxiliares entrassem em campo para espalhar informações falsas sobre a segurança das urnas eletrônicas. No encontro, o general Augusto Heleno, então chefe do Gabinete de Segurança Institucional, disse que o governo precisaria agir efusivamente antes das eleições porque, depois, “não vai ter revisão do VAR”. “Então o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa é antes das eleições.”

O general Mario Fernandes, número 2 da Secretaria-Geral da Presidência, foi na mesma linha. “No momento que acontecer [a suposta fraude], que que vai… É 64 de novo? É uma junta de governo? É um governo militar? É um atraso de tudo que se avançou no país? Porque isso vai acontecer.” As declarações motivaram a operação Tempus Veritatis, que teve 33 alvos, inclusive Jair Bolsonaro.

A visão de Queiroga, no entanto, passa longe do que foi descrito na decisão de Alexandre de Moraes e na íntegra do vídeo da reunião divulgado pela Justiça. “O presidente Bolsonaro é um democrata. Veja quantas eleições ele participou. Veja que ele pediu que se gravasse a fala dele. Se houvesse uma intenção planejada de golpe seria numa reunião aberta? Não havia intenção de golpe. Havia um descontentamento público com o tratamento desequilibrado do processo. Mas isso já foi superado. Vamos à frente!”

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