Executivo
Problema no discurso de Bruno sobre demissões é que episódio tem cheiro de perseguição, jeito de perseguição…
02/10/2023 14:48
Suetoni Souto Maior
Romero Rodrigues e Bruno Cunha Lima durante a campanha de 2020. Foto: Divulgação

Os mais rodados, como eu, vão lembrar da referência. Os mais jovens, certamente terão que dar um Google. É que lá pelos anos 1980 havia uma propaganda na TV que falava de um xampu chamado Denorex. Ele era descrito como um produto com cor de remédio, cheiro de remédio, mas que não era remédio. A tirada entrou para o anedotário político, para se referir ao que parece mais não é. É o famoso “efeito denorex”. O problema no discurso do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PDT), quando se fala das demissões de servidores oficializadas na última sexta-feira (29), é que a lógica parece não ser aplicável.

Neste episódio específico, a decisão tem cheiro de perseguição, jeito de perseguição e, tendo em vista a degradação das relações entre Bruno e o deputado federal Romero Rodrigues (Podemos), parece perseguição. Este, pelo menos, foi o sentimento disseminado entre aliados e adversários, que viram no movimento do gestor a vontade de se livrar dos indicados pelo ex-prefeito. Rodrigues foi padrinho político de Bruno nas eleições de 2020 e, nos últimos anos, foi acumulando desconfortos em relação ao prefeito. Mesmo assim, de acordo com informações de bastidores, ainda mantinha 2,5 mil aliados na máquina.

A decisão de Bruno atinge 8 mil contratados por excepcional interesse público e 400 cargos de confiança. É muito. O prefeito deu declarações nesta segunda-feira (2) buscando colocar panos mornos no assunto. Ele afastou o viés político da decisão. Garante que ela foi tomada para que o Município atenda ao que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estabelece teto de 54% da Receita Corrente Líquida no gasto com pessoal. A prefeitura chegou a receber alerta do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e precisava realmente se enquadrar. O gestor alegou também como motivo a redução nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Quer saber? Há, sim, motivos de sobra para enxugar a folha. Mas como em tudo, o diabo está nos detalhes. Nas suas entrevistas, o gestor alegou todas essas questões citadas acima para justificar a decisão. Acontece que ele garantiu também que nem todos os demitidos ficarão de fora da gestão. Serão readmitidos aqueles que trabalharem. Como eu custo a acreditar que o gestor queira admitir ter mantido na folha gente sem trabalhar, é fácil acreditar que o critério político vai, sim, ter força para determinar quem sai e quem fica. E é natural que isso ocorra, até porque o cargo é de confiança.

E nesse jogo de Davi contra Golias, certamente ficarão de fora aqueles que não estiverem sintonizados com o projeto de poder do prefeito. Do outro lado, o que se tem visto é um Romero Rodrigues cada vez mais com cara de candidato. E ninguém se surpreenda se ele sair como candidato apoiado pelo governador João Azevêdo (PSB). As cartas estão na mesa.

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