Executivo
Prefeitura de Campina Grande nega influência de Bruno em ‘censura’ a eventuais manifestações políticas por artistas no São João
20/05/2022 14:14

Suetoni Souto Maior

Festas Juninas são manifestação cultural importante, mas não devem sobrepor as necessidades básicas da população. Foto: Divulgação

A prefeitura de Campina Grande negou, nesta sexta-feira (20), qualquer influência do prefeito Bruno Cunha Lima (PSD) na proibição de eventuais manifestações políticas de artistas que se apresentarão no Maior São João do Mundo. A restrição ganhou holofotes na imprensa paraibana após polêmica similar ocorrida em Caruaru, em Pernambuco, ganhar destaque nacional. De acordo com a Coordenação de Comunicação da cidade, a proibição na Rainha da Borborema também ocorre, porém, a exigência é feita pela empresa organizadora do evento, a Medow Entretenimento e Cultura, e não pelo prefeito.

De acordo com Marcos Alfredo, coordenador de Comunicação de Campina Grande, a exigência integra um contrato padrão da empresa. “Essa história de que o prefeito de Campina Grande está proibindo é falsa. Uma empresa foi licitada para organizar o São João e os contratos com artistas são feitos por ela. Bruno (Cunha Lima) não interfere nesta relação”, explicou. A polêmica surgiu pelo entendimento de juristas de que a cláusula citada funcionaria como censura prévia. O tema esteve no centro das discussões recentemente no Lollapalooza Brasil, ocorrido em março, em São Paulo.

No evento, vários artistas fizeram críticas duras ao presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, e elogios ao ex-presidente Lula (PT), virtual adversário do atual gestor. Chegou a haver decisão do ministro Raul Araújo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendendo a ação movida pelo PL, mas o próprio ministro voltou atrás após a polêmica criada sobre a existência de censura prévia. Vários ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram a decisão do magistrado. A mesma polêmica é registrada agora em relação ao São João.

A empresa responsável pela organização do Maior São João do Mundo fará a primeira festa após a fase mais grave da pandemia. Procurada pela imprensa, nesta sexta, ela confirmou a exigência contratual. Neste tipo de contrato, os artistas são orientados a não fazerem manifestações políticas. Caso contrário, eles poderão não receber o pagamento pela apresentação. Tradicionalmente, talvez por isso, os casos de manifestação política no Parque do Povo sejam muito raros. As movimentações dos candidatos ocorrem em geral pelos camarotes.

Agora que o assunto ganhou os holofotes, o risco de aparar nos tribunais é grande.

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