Há exatos 10 anos, o Senado brasileiro afastava do governo, no segundo mandato, a primeira mulher eleita para comandar o país, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A petista foi acusada de crime de responsabilidade e, sem apoio político, teve o processo de impeachment aprovado pela Câmara dos Deputados e, depois, no dia 12 de maio daquele ano, confirmado pelo Senado. O processo teve fim em 31 de agosto, quando o colegiado cassou o mandato da petista em definitivo.
Neste processo, pelo menos dois dos três senadores paraibanos da época tiveram grande importância. Cássio Cunha Lima (PSD) vocalizava os interesses da oposição, que havia visto seu aliado, Aécio Neves (PSDB), ser derrotado pela petista no pleito de 2014. E Raimundo Lira (MDB) presidiu a comissão processante, que resultou na cassação.
O outro senador paraibano da época, José Maranhão (MDB), teve posição mais modesta no processo, mas, assim como os outros dois, votou pela cassação. Dois anos depois, os três deram adeus à política eleitoral. Raimundo Lira não disputou a reeleição, enquanto que Cássio foi derrotado na disputa. Já Maranhão tentou se eleger governador e sequer conseguiu chegar no segundo turno. Ele faleceu em 2021, vítima da Covid-19.
Naquela votação no Senado, uma Dilma Rousseff sem apoio popular nem político teve o seguimento do processo de impeachment aprovado com o voto de 55 senadores a favor e 22 contrários. O placar aumentou na sessão de 31 de agosto, que foi finalizada com 61 votos a favor e 20 contrários. No seu lugar assumiu o vice, Michel Temer (MDB), que também se equilibrou entre ameaças de impeachment por causa de escândalos de corrupção.
O clima de instabilidade gerado também pelo avanço da operação Lava Jato pavimentou o movimento que resultou na eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2018. Ele também não conseguiu renovar o mandato e está preso por suspeita de ter chefiado uma tentativa de golpe após ser derrotado nas eleições de 2022.
Na época do impeachment, os petistas contestavam a tese de crime de responsabilidade e alegavam golpe parlamentar. A tese foi amplamente propagada pelo ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que subiu à tribuna para classificar o processo como golpe e acusar uma “injustiça histórica”.
“Há golpe com direito de defesa, justamente para simular a sua legitimidade. E é o que ocorre nesse processo. Está-se, neste momento, condenando uma mulher honesta e inocente. Está-se, neste momento, utilizando um pretexto jurídico para acusar uma presidente da República legitimamente eleita de atos que todos os governos anteriores praticaram”, afirmou na ocasião.
Atualmente, Dilma Rousseff comanda o banco do Brics, com sede na China.
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