Judiciário
Prefeito interino de Cabedelo exonera citados na operação Cítico, mas preserva empresa pivô de escândalo
20/04/2026 16:17

Suetoni Souto Maior

José Pereira ocupava interinamente o cargo de presidente da Câmara de Cabedelo. Foto: Divulgação

O prefeito interino de Cabedelo, José Pereira (Avante), parece não ter entendido bem os sinais dados pela operação Cítrico, desencadeada em Cabedelo na semana passada. O gestor assumiu o cargo depois que o prefeito eleito, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo sob a acusação de ter mantido um suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na cidade, inclusive com a participação de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. O gestor interino afastou os citados na operação, porém, “esqueceu” de fazer o mesmo com a Lenon Terceirização e Serviços LTDA., citada como pivô do esquema.

O caso tem chamado a atenção dos investigadores. A Lemon, de acordo com a apuração realizada em parceria por Polícia Federal, Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), e Controladoria Geral da União (CGU), foi beneficiada em suposto esquema de fraudes em licitações. Os órgãos apontam suposta fraude licitatória nos pregões que resultaram na contratação da empresa, o que teria possibilitado a perpetuação de contratos milionários e a distribuição de vantagens ilícitas, cujo valor pode chegar até R$ 270 milhões.

Na decisão expedida pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, do Tribunal de Justiça da Paraíba, a Lemon é citada, em tese, como “principal instrumento para o desvio de verbas e acomodação de pessoal indicado pela organização criminosa”. Em entrevista concedida na semana passada à CBN, falando sobre a empresa, José Pereira disse que não suspenderia o contrato, sob a alegação de que preservaria os empregos das pessoas que trabalham na Lemon.

Apesar disso, foram exonerados apenas as pessoas citadas na operação. A lista inclui a sogra de Neto, Cynthia Denize Silva Cordeiro, da Secretaria de Controle do Uso e Ocupação do Solo; o cunhado, Diego Carvalho Martins, da Procurador Geral do Município, além do gerente de Recursos Humanos da prefeitura, Claudio Fernandes de Lima Monteiro, e da secretária de Administração, Josenilda Batista dos Santos.

A decisão de Pereira surpreende pela sua abrangência limitada porque conforme o apurado, o esquema investigado teria se valido da contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra vinculadas à facção criminosa “Tropa do Amigão”, braço do “Comando Vermelho”, com infiltração de faccionados em estruturas da Prefeitura de Cabedelo, circulação de valores de origem pública em favor do crime organizado e utilização de contratos administrativos como instrumento de manutenção de poder, influência territorial e blindagem institucional. 

A novela, pelo jeito, vai ter muitos desdobramentos.

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