Executivo
Pragmático, Lula poderá ter dois palanques na Paraíba. Entenda
09/08/2021 15:37
Suetoni Souto Maior
Lula tem dialogado com lideranças paraibanas visando as eleições do ano que vem. Foto: Divulgação

Não é comum de se ver, mas o quadro político da Paraíba, no ano que vem, aponta para a possibilidade de o ex-presidente Lula (PT) ter dois palanques no Estado. A situação não é exatamente nova e vai depender, lógico, de como o petista vai estar eleitoralmente no ano que vem e também de eventuais concessões dos candidatos ao governo no Estado. A situação se abre diante da disposição do governador João Azevêdo (Cidadania) de oferecer palanque ao petista no ano que vem. O problema é que o PT, partido do ex-gestor, vem cortejando, também, adversários de João.

Ao passo que o campo para o diálogo com João é aberto, a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, e o ex-presidente Lula se reúnem com adversários do gestor como o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cataxo (PV). Os dois, inclusive, poderão fazer o caminho de volta para o partido e são tidos como virtuais candidatos no ano que vem, desde que tenham condições eleitorais para isso. O socialista tem condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o verde contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O dado novo do triângulo é a possível chegada do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) para compor o grupo. Ele integra a base aliada de João Azevêdo, porém, tem havido divergências e risco de rompimento. Caso o parlamentar tope se tornar o “ponta de lança” do grupo, haverá a possibilidade de composição de um palanque forte para a disputa eleitoral. Sozinhos, não. Mas com um possível apoio do ex-presidente Lula, caso ele mantenha a dianteira apontada nas pesquisas, o grupo ganha musculatura para a disputa.

Se esse cenário se concretizar, com interesse de todos eles pelo apoio, não será a primeira vez que um palanque duplo com Lula será armado. Na Paraíba, o petista assumiu a preferência por José Maranhão (já falecido) na disputa pelo governo com Ricardo Coutinho, em 2010, mas sem abandonar um apoio velado ao socialista. Vários petistas, inclusive, optaram pelo apoio a Coutinho, que acabou saindo vitorioso daquela disputa. Coisa parecida ocorreu no Maranhão, em 2006, com Roseana Sarney (na época no DEM) disputando o apoio petista com Jackson Lago (PDT).

O melhor exemplo de palanque compartilhado, no entanto, ocorreu em Pernambuco, em 2006. Lá, o petista Humberto Costa recebeu o apoio de Lula para a disputa pelo governo, mas teve que dividi-lo com Eduardo Campos (PSB), que acabou sendo o vencedor. Assim como o ex-governador pernambucano, morto em acidente aéreo em 2014, Jackson Lago, também já falecido, foi eleito na disputa com Roseana Sarney. Resta agora saber se o mesmo vai acontecer na Paraíba.

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