Executivo
Petistas pró-João dizem que filiação dele ao PSB altera status de exclusividade do palanque de Lula para Veneziano
21/02/2022 09:16
Suetoni Souto Maior
Anselmo Castilho fala em autoritarismo do partido após punião. Foto: Divulgação

A política paraibana entra numa semana decisiva para o agrupamento de esquerda e centro esquerda. O primeiro ato da novela será nesta segunda-feira (21), com o PT estadual formalizando uma aliança com o MDB do senador Veneziano Vital do Rêgo. O movimento no xadrez político leva naturalmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um palanque único com o emedebista. Isso em tese, porque na próxima quinta-feira (24) haverá a filiação do governador João Azevêdo (ex-Cidadania) ao PSB, partido pelo qual foi eleito em 2018. Daí surge a pergunta: como fica o palanque para Lula no Estado agora?

O advogado Anselmo Castilho, membro do Diretório Estadual do PT, tem uma resposta enigmática: “haverá uma mudança progressiva para acomodar o governador no palanque de Lula”. A observação é fruto das discussões no plano nacional sobre a construção de uma federação envolvendo PT e PSB. Caso ela saia do papel, o que tem se tornado cada vez mais difícil de acontecer, os dois partidos vão figurar como um único por quatro anos. Esse alinhamento seria natural e levaria Lula direto para o palanque de Azevêdo no Estado, muito provavelmente através de palanque duplo.

É bom dizer também que se não houver federação, a proximidade dos dois partidos também reflete positivamente para João. Daí você pode perguntar se é possível servir a dois senhores. Bem, se pegarmos a história dos confrontos nos estados, vamos ver que o ex-presidente sempre foi pouco a feito a restrições a palanques. A lógica para este ano é a mesma. Há entre os petistas o sentimento de que Lula não poderá rejeitar apoios, por entender que o presidente Jair Bolsonaro (PL), seu principal adversário, tende a melhorar seus números durante a corrida eleitoral. Se ele conseguir reduzir a rejeição, tende a se tornar competitivo.

A equação sobre a ampliação do palanque não é simples, mas já foi posta em prática diversas vezes. Aqui pertinho mesmo, em Pernambuco, houve uma eleição, em 2006, em que o mesmo palanque de Lula abrigou Humberto Costa (PT) e Eduardo Campos (PSB), com final feliz para o segundo. Corrobora para isso o fato de o cenário dentro do PT, na Paraíba, ser de extrema divisão, com a maioria dos diretorianos favorável à aliança com João Azevêdo. A costura nacional, no entanto, pelo menos até agora, seguia no caminho contrário, de apoio a Veneziano, por causa dos entendimentos de Lula com o MDB do Nordeste.

Contra um palanque com João Azevêdo pesa também a influência do ex-governador Ricardo Coutinho (PT). Ele foi o padrinho do atual governador nas eleições de 2018, mas os dois foram progressivamente se afastando e romperam no primeiro ano de governo. Agora, o ex-gestor faz planos para disputar uma vaga no Senado, tendo Veneziano na cabeça de chapa. Nesta segunda-feira teremos o primeiro capítulo da novela, resta esperar os dias seguintes…

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