Executivo
Paraíba é um dos sete estados em que a nacional do PT deve enquadrar filiados para impor alianças
17/03/2022 18:23
Suetoni Souto Maior
Prioridade é fechar alianças que beneficiem a candidatura de Lula. Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente Lula (PT) deu entrevista a uma rádio de Patos, nesta semana, e disse estar convencido da necessidade de fazer aliança com o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), na Paraíba. Disse ainda que precisa juntar mais gente para ajudá-lo, o que abre espaço para um possível apoio também do governador João Azevêdo (PSB). As declarações embalaram as esperanças da militância dos dois postulantes, mas o que há de certo no processo é que a sigla, conhecida pela pujante democracia interna, deve vivenciar, nos próximos dias, grande pressão da Executiva Nacional para o alinhamento das alianças.

Aqui na Paraíba, a briga é grande no Diretório Estadual. Uma ala significativa quer o fechamento da aliança com Veneziano, enquanto outra prefere João Azevêdo. O ex-governador Ricardo Coutinho e o presidente estadual da sigla, Jackson Macedo, são os principais fiadores do senador. Por outro lado, o grupo alinhado com João tem demonstrado grande força. Nele estão nomes como os deputados Anísio Maia (estadual) e Frei Anastácio (federal). O bloco tem se movimentado para vencer os aliados de Veneziano na discussão interna do partido, mesmo sabendo que a nacional vai dar a palavra final. Há até ameaças de expulsão.

Assim como na Paraíba, o movimento para enquadrar os filiados ocorre no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Mato Grosso, Amazonas e Rio Grande do Norte. No Rio, por exemplo, o presidente da André Ceciliano vinha se movimentando para concorrer ao cargo de governador, mas o movimento dele foi freado pelo próprio ex-presidente Lula. O petista tem preferência pelo nome de Marcelo Freixo (PSB) e lançou as bases para a aliança no Estado. Freixo é visto como aliado preferencial no Estado.

Em Minas Gerais, o partido tinha o objetivo de lançar para o governo do Estado o prefeito de Teófilo Otoni, Daniel Sucupira. O projeto também foi abortado pela nacional, que pretende fazer aliança com o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSB). É parecido com a situação do Ceará, onde a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, tentava sair candidata. Ela tem histórico de brigas internas que contrariam a direção nacional, porém, dificilmente logrará êxito agora. Isso porque o deputado José Guimarães, com aval de Lula, costura apoio ao candidato do PDT, em aliança que poderá reunir ainda MDB e PSD.

No Mato Grosso, a deputada federal Rosa Neide, que tem interlocução com Lula, tenta uma composição com PSB, PP e PSD no Estado. Outra ala da sigla busca um caminho alternativo. Já no Amazonas, o partido deve lançar o ex-senador João Pedro ao governo e admite abrir mão da vaga ao Senado para apoiar a reeleição de Omar Azis (PSD). O nó também está no Rio Grande do Norte, onde Lula quer Garibaldi Alves para o Senado, no lugar de Jean Paul Prates, do PT. A governadora Fátima Bezerra trabalha para ter Carlos Eduardo Alves (PDT), seu ex-adversário, no espaço de vice na chapa de reeleição.

Os debates no plano nacional, assim como na Paraíba, devem ser aprofundados nos próximos dias, mas a nacional já mandou um recado: vai enquadrar quem não seguir a linha do partido.

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