Judiciário
Operação Indignus: obras sacras de alto valor dividiam espaço com vinhos caríssimos em endereços do Padre Egídio
06/10/2023 09:43

Suetoni Souto Maior

Caixas de Vinho e rótulos avaliados em até R$ 10 mil eram guardados em endereços do religioso. Foto: Divulgação

Os achados da Força-Tarefa formada para investigar as suspeitas de desvio de recursos de doações feitas ao Hospital Padre Zé e à Ação Social Arquidiocesana (ASA) não param de surpreender. De acordo com informações obtidas pelo blog, vinhos caríssimos dividiam espaço com obras sacras de grande valor e eletrodomésticos que simbolizam bom gosto e ostentação. O rastro de riqueza foi encontrado em endereços do Padre Egídio de Carvalho Neto, durante o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

Os mandados foram cumpridos pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com Polícia Civil, Controladoria-Geral do Estado e Receita Estadual. A granja pertencente ao padre, localizada no Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa, foi descrita como um espaço repleto de obras sacras que deveriam compor um museu ou o patrimônio da Igreja Católica e não adornar a residência de um religioso. Foram encontrados, por exemplo, castiçais de prata pura, além de imagens de santos e outros adornos sacros.

O valor das obras ainda não foi avaliado pelos investigadores. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos, também, em endereços de duas ex-diretoras do Hospital Padre Zé. São elas Jannyne Dantas (ex-diretora administrativa) e Amanda Duarte (ex-tesoureira). Todos foram afastados do cargo. A Força-Tarefa visitou endereços do religioso em João Pessoa, no Conde e em São Paulo. As informações de bastidores indicam que o Padre Egídio era detentor de um patrimônio incompatível com a atividade desempenhada por ele.

A investigação, segundo o Gaeco, aponta para uma absoluta e completa confusão patrimonial entre os bens e valores de propriedade das referidas pessoas jurídicas com um dos investigados, com uma considerável relação de imóveis atribuídos, aparentemente sem forma lícita de custeio, quase todos de elevado padrão, adornados e reformados com produtos de excelentes marcas de valores agregados altos. As condutas indicam a prática, em princípio, dos delitos de organização criminosa, lavagem de capitais, peculato e falsificação de documentos públicos e privados.

O advogado do religioso, Sheyner Asfora, disse que oficiou o Ministério Público da Paraíba para dizer que o Padre Egídio está à disposição para prestar esclarecimentos. “Ele vai colaborar com as investigações”, disse.

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