O cantor Ed Motta virou alvo de investigação por injúria racial após protagonizar uma sequência de ataques verbais e atitudes agressivas dentro do restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. Áudios vazados e divulgados pela imprensa mostram o cantor disparando ofensas carregadas de preconceito contra um funcionário nordestino, chamado por ele de “paraíba filho da puta” em um tom de ódio explícito.
Nas gravações, Ed Motta deixa claro o teor xenofóbico de sua revolta. Em um dos trechos, o cantor fala em “Tijuca contra o Nordeste” e ameaça partir para a agressão física caso voltasse a discutir com o barman da casa. “Se eu for falar com ele de novo, vai sair porrada. Porque é a Tijuca contra o Nordeste, né? Pô, cara, seu paraíba filho da puta”, diz o músico em áudio enviado ao dono do restaurante.
Dono do inegável talento de ser sobrinho do cantor e compositor Tim Maia, Ed Motta reproduziu preconceitos em outros momentos. Em um dele, elevou o tom contra um funcionário nordestino, afirmando que a próxima reação seria “pular o balcão e pegar ele”.
O episódio investigado pela polícia aconteceu no dia 2 de maio, quando Ed Motta e amigos discutiram com funcionários do restaurante após serem cobrados pela taxa de rolha. Segundo relatos, o cantor perdeu o controle, discutiu, gritou e chegou a arremessar uma cadeira no salão antes de deixar o local.
A situação ficou ainda pior depois que um dos amigos do artista, Nicholas Guedes Coppim, deu um soco em um cliente e arremessou uma garrafa de vinho durante a confusão. O caso terminou com feridos e investigação policial. Funcionários do restaurante afirmaram em depoimento que o cantor dirigiu insultos xenofóbicos ao barman, usando expressões ofensivas contra nordestinos. A fala “vai tomar no c*, seu filho da puta, paraíba” aparece em relatos entregues à polícia.
Mesmo diante dos áudios e testemunhos, Ed Motta, assim como fazem os facadistas covardes, negou as acusações. Em depoimento, afirmou que tudo seria “infundado” porque tem ascendência nordestina — alegando ser neto de baiano e bisneto de cearense — além de declarar que “repudia qualquer tipo de preconceito”. A defesa do cantor também tentou desqualificar o conteúdo divulgado, dizendo que os áudios seriam antigos, privados e retirados de contexto. Os advogados afirmam que existe uma tentativa de manipulação narrativa para influenciar a investigação.
Ainda assim, o conteúdo das gravações expõe um discurso carregado de preconceito regional, com ataques diretos a nordestinos e ameaças físicas contra um trabalhador do restaurante. Após a repercussão, Ed Motta enviou outro áudio ao dono do Grado pedindo desculpas por jogar a cadeira no chão, mas voltou a demonstrar irritação extrema por causa da cobrança da taxa de rolha. “Eu joguei uma cadeira no chão de ódio”, declarou.
A delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP da Gávea, segue ouvindo testemunhas indicadas pelo cantor e funcionários do restaurante. Ed Motta é investigado por injúria por preconceito, crime cuja pena pode chegar a três anos de prisão.
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