Judiciário
Núcleo 2 do golpe no alvo: STF examina denúncia contra responsáveis pela trama
22/04/2025 09:42

Suetoni Souto Maior

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal iniciou nesta terça-feira (22) a análise da denúncia contra mais um grupo de envolvidos na tentativa de golpe de Estado que marcou o fim de 2022. Trata-se do chamado “núcleo 2”, acusado de ter fornecido o suporte técnico e operacional à trama frustrada que pretendia manter Jair Bolsonaro no poder pela força.

Se a peça da PGR for aceita — e tudo indica que será —, os seis acusados passam à condição de réus em ação penal. O julgamento está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes e tem espaço reservado em três sessões: uma pela manhã, outra à tarde e, se necessário, uma terceira na quarta-feira (23). A pressa aqui é inimiga da impunidade.

Entre os denunciados estão figuras conhecidas nos bastidores do antigo governo: o general da reserva Mário Fernandes, os ex-assessores presidenciais Filipe Martins e Marcelo Câmara, o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques e os delegados da PF Marília Ferreira de Alencar e Fernando de Sousa Oliveira.

Segundo a acusação, o grupo não só participou da elaboração da já célebre “minuta do golpe” como também se envolveu em planos que, de fantasiosos, só tinham o nome: como o “Punhal Verde e Amarelo” — esse último prevendo a neutralização de autoridades como Lula, Alckmin e o próprio Moraes. A palavra “neutralizar”, aliás, aparece sem eufemismos nos documentos apreendidos. Política e eufemismo, às vezes, andam em lados opostos.

Também pesam sobre os acusados a articulação de bloqueios em rodovias no segundo turno das eleições — com especial atenção à Região Nordeste, curiosamente onde o então candidato Lula teve votação massiva. A PGR apontou uso indevido de recursos da PRF para dificultar o trânsito de eleitores em plena eleição.

O julgamento atual, vale lembrar, ainda não define culpa. O STF vai apenas decidir se há elementos suficientes para abrir ação penal. Mas, diante do tamanho da denúncia e dos nomes envolvidos, o processo já carrega um peso simbólico: é mais um capítulo no esforço para demonstrar que atos de ruptura democrática não serão tratados como episódios menores ou mal-entendidos institucionais.

O Brasil segue tentando virar a página. Mas, como se vê, há quem insista em escrevê-la com tinta indevida — e sem apagar os rastros deixados no papel.

Por: Beatriz Souto Maior

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