Judiciário
Moraes mantém prisão de acusados no caso Marielle e reforça gravidade das provas
23/05/2025 02:11

Beatriz Souto Maior

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a prisão do major da PM do Rio de Janeiro Ronald Alves de Paula e do ex-policial militar Robson Calixto, ambos acusados de participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. A decisão, proferida nesta quinta-feira (22), reforça a gravidade das provas reunidas contra os investigados e atende a parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que já havia defendido a continuidade da custódia.

Na avaliação de Moraes, a prisão preventiva se justifica pela “necessidade de resguardar a aplicação da lei penal e a ordem pública”. Segundo o ministro, a periculosidade dos acusados está evidenciada nos autos. Ele destacou ainda o papel de cada um na engrenagem que resultou na execução da parlamentar, cuja atuação incomodava interesses de grupos políticos com ramificações em territórios dominados por milícias.

A investigação da Polícia Federal aponta que Ronald Alves teria monitorado a rotina de Marielle e repassado as informações ao executor confesso do crime, Ronnie Lessa. Já Robson Calixto, ex-PM e então assessor de Domingos Brazão — conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) —, teria sido o responsável por entregar a arma usada no assassinato.

O cerco também se fecha contra os supostos mandantes do crime. Estão entre os denunciados pela PGR: Domingos Brazão, o irmão dele, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, e o ex-chefe da Polícia Civil do RJ, Rivaldo Barbosa. Todos são citados na delação de Ronnie Lessa, que detalhou o planejamento da execução. Barbosa, segundo o delator, participou ativamente dos preparativos.

Ainda de acordo com a PF, o crime teria motivação política: Marielle era um obstáculo aos interesses dos irmãos Brazão em disputas fundiárias em áreas sob influência de milícias.

Os acusados negam envolvimento. A versão, no entanto, contrasta com as delações, os dados cruzados pelas autoridades e o contexto político do crime, que há mais de seis anos aguarda justiça.

A decisão de Moraes mantém o caso em evidência e reforça a necessidade de responsabilização dos envolvidos, direta ou indiretamente, no assassinato que abalou o país e se tornou símbolo de resistência e cobrança por justiça. O processo segue sob relatoria do ministro no STF, com novos desdobramentos previstos para as próximas semanas.

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