O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou polêmica nesta quinta-feira (23) ao duvidar da autenticidade das ameaças contra o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR). Um grupo suspeito de tramar a morte do parlamentar foi preso nesta quarta-feira. Os mandantes seriam membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), motivados por vingança, supostamente porque ex-juiz, quando ministro da Justiça, determinou a transferência de lideranças criminosas para presídios federais. Ao ser questionado sobre o assunto, nesta quinta, o petista debochou do caso e disse acreditar ser tudo armação do senador.
“É visível que é uma armação do Moro, mas eu vou pesquisar e vou saber porquê da sentença. Até fiquei sabendo que a juíza não estava nem em atividade quando deu o parecer para ele, mas isso a gente vai esperar. Eu não vou ficar atacando ninguém sem ter provas. Eu acho que é mais uma armação e, se for mais uma armação, ele vai ficar mais desmascarado ainda. Aí eu não sei o que ele vai fazer da vida, se ele continuar mentindo do jeito que está mentindo”, disse Lula durante agenda nesta quinta-feira no Rio de Janeiro.
O presidente tem, vale ressaltar, todo o motivo do mundo para não gostar e nem acreditar no ex-juiz. Foi Moro quem determinou a prisão dele em processo que depois teve a legitimidade negada pelo Supremo Tribunal Federal. O ex-magistrado foi considerado um juiz parcial e, de acordo com a defesa do petista, condenou Lula sem provas, fazendo com que ele ficasse mais de 500 dias na prisão. A popularidade do Moro começou a ruir depois da Vaza-Jato, a sequência de reportagens com denúncias de parcialidade no processo que resultou na prisão do petista. Mesmo assim, conseguiu se eleger no ano passado pelo estado natal.
O clima de animosidade entre os dois vem numa crescente. Nesta semana, uma declaração do petista lembrando o período em que esteve preso ampliou a animosidade com o ex-magistrado. Ele disse em entrevista que toda vez que um procurador da República o visitava na cela e perguntava se estava tudo bem, ele dizia que só estaria bem quando f** Moro. O conteúdo desta fala teve a repercussão ampliada com a operação da Polícia Federal que prendeu nove pessoas nesta quarta supostamente por integrarem um suposto plano de sequestro e assassinato do senador e de seus familiares.
Moro respondeu à provocação de Lula dizendo que o presidente não tinha decência. O que se tem de fato em relação a isso é que essa discussão favorece apenas o ex-juiz. É um tiro no pé para o presidente, que precisa se preocupar na verdade com a retomada da economia.
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