Executivo
Lula, Bolsonaro e o xadrez político com repercussão na Paraíba
31/05/2021 17:25
Suetoni Souto Maior
Lula e Bolsonaro já estão em virtual campanha visando as eleições do ano que vem. Foto: Montagem

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou avisar aos aliados que virá à Paraíba em julho. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem mandado ministros de pastas importantes ao Estado nos últimos dias. E o que isso significa na dinâmica política? Significa de forma cristalina e escancarada que a campanha está na rua. Tanto Lula quanto Bolsonaro entendem que estarão no segundo turno das eleições do ano que vem. O que eles tentam, agora, é o fortalecimento para evitar o pouco provável surgimento de uma terceira via para a disputa.

Lula avisou aos aliados que buscará uma pauta eclética: nada de restrições ideológicas nos encontros. A menos que elas apontem extreminismo de direita. A lista dos pretensos encontros inclui o governador João Azevêdo (Cidadania), o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (Progressistas) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). Em comum, há o fato de todos já terem integrado a base aliada do petista, apesar de a maioria deles hoje ter pouca afinidade entre si.

Mas enquanto Lula recuperou os direitos políticos recentemente e só depois disso “caiu em campanha”, o mesmo não pode ser dito de Jair Bolsonaro. O presidente tomou posse em 2019 e desde então está em virtual campanha pela reeleição. Ao contrário do discurso de 2018, de outsider, o figurino para o ano que vem tem mais a ver com o de ícone da extrema-direita, mas sem abrir mão do centrão. Para isso, tenta manter a fidelidade do bloco que já esteve com Lula no passado e com FHC antes dele e por aí vai.

O presidente esteve na Paraíba em fevereiro, pela última vez. Apesar disso, nos últimos 30 dias mandou ao Estado os ministros da Educação, Milton Ribeiro, e Saúde, Marcelo Queiroga. Este último, até pelo fato de ser paraibano, tem tido visitas mais frequentes ao Estado. Ele viria na semana passada para Campina Grande, por exemplo, mas acabou adiando a viagem por causa do agravamento dos casos da Covid-19. Há uma preocupação no staff do presidente por causa da degradação da avaliação dele no Nordeste. Por aqui, a rejeição é crescente.

A história das disputas políticas no país após a redemocratização mostra que as disputas eleitorais são polarizadas entre o Partido dos Trabalhadores e um opositor. Por muito tempo essa oposição foi feita pelo PSDB, mas o grupo perdeu musculatura em 2018 e a militância tucana acabou seguindo Bolsonaro. O capitão reformado do Exército se mostrou, pela conjuntura, o único capaz de vencer um PT que naquela altura já não podia contar com Lula como candidato. Ele foi impedido de disputar por causa da condenação em processos da Lava-Jato que foram anulados.

Com Lula na disputa, fica difícil imaginar que algum nome consiga se firmar como terceira via, seja ele Ciro Gomes (PDT), Luiz Henrique Mandetta (DEM) ou João Dória (PSDB). Diante disso, o cenário acaba se fechando entre os dois candidatos mais bem posicionados para a disputa. As pesquisas mostram, por ora, o ex-presidente Lula mais bem posicionado e, segundo alguns institutos, com perspectivas de sair vitorioso no primeiro turno. A história recente mostra que este cenário não é pacífico. O domínio eleitoral será disputado palmo a palmo.

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