Os primeiros 90 dias do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem avaliação positiva distante das médias históricas do próprio petista, em gestões anteriores. Ele cravou 38% de aprovação agora, contra 43% em 2003 e 48% em 2007. O desempenho abaixo do esperado pode estar vinculado à vitória extremamente apertada no ano passado, quando ele superou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na urnas (50,9% x 49,1%). O gestor vence o adversário também se comparado o desempenho do início de governo dele com o do capitão reformado do Exército, que cravou 32% de aprovação, de acordo com o Datafolha.
A disputa entre os dois é mais parelha em relação às reprovações, ambas muito altas para um início de governo. Lula é reprovado por 29% do eleitorado, enquanto Bolsonaro tinha a antipatia de 30% das pessoas ouvidas pelo instituto quando atingiu 90 dias de governo. Os dois, com isso, atingiram os piores desempenhos entre os presidentes em primeiro mandato, contado que Lula tem direito à reeleição, assim como ocorreu com Bolsonaro. Dilma Rousseff (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tiveram desempenho pior, mas ambos nos respectivos segundos mandatos.
Em 2011, com 90 dias de gestão, Dilma cravou 47% de aprovação, enquanto que FHC obteve 39%. O desempenho deles despencou no início dos respectivos segundos mandatos, com Dilma hostentando míseros 13% e o tucano, 21%.
Consideram a gestão de Lula regular agora outros 30%. Não souberam responder 3% —entre os 2.028 eleitores entrevistados pelo instituto de quarta (29) a quinta (30) em 126 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.
Trata-se de um país longe da união nacional pregada pelo petista na campanha e distante da prática na política. Ao contrário, manutenção da polarização por Lula, mirando o agora de volta ao Brasil Bolsonaro, é um cálculo que beneficia a ambos os antagonistas por fechar as portas a alternativas.
Tanto é assim que muito da energia do governo em seu começo girou em torno do ato golpista promovido no 8 de janeiro em Brasília e efeitos secundários da crise, como a derrubada do comandante do Exército. A lida com o cotidiano de problemas tem se mostrado maior agora, com o debate sobre o arcabouço fiscal e as questões de governabilidade no Legislativo.
Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni