O deputado federal Luiz Couto (PT) subiu o tom, nesta quarta-feira (21), ao usar a tribuna da Câmara dos Deputados para denunciar o que classificou como crime de etarismo. Sem meias palavras, o parlamentar de 80 anos disse estar sendo vítima de ataques por causa da idade — e o mais grave: vindos de dentro do próprio partido.
Couto não citou nomes, mas deixou claro que os ataques partem de companheiros que deveriam ser aliados de luta. O pano de fundo seria a disputa por bases eleitorais, já com vistas à eleição de 2026. “Insinuam que estou velho demais para continuar servindo ao povo, que posso até morrer no caminho. Espalham boatos, semeiam a dúvida e o medo entre os que sempre me apoiaram”, desabafou, em tom de indignação.
O parlamentar paraibano, que tem histórico na luta pelos direitos humanos e pela ética na política, disse que não irá se intimidar com o que chamou de “baixarias”. “Não me curvarei diante daqueles que tentam me enfraquecer com mentiras e difamações”, disparou.
A fala de Luiz Couto expõe uma tensão interna no PT paraibano. De um lado, o veterano com décadas de atuação; do outro, figuras emergentes interessadas em herdar o espólio político de quem ainda está vivo e em pleno exercício do mandato. O gesto de Couto, ao trazer o debate à tona, joga luz sobre um tema muitas vezes ignorado nos bastidores da política: o preconceito contra os mais velhos.
O etarismo — ou ageísmo — é um tipo de discriminação que associa o envelhecimento à incapacidade. No caso de Couto, a crítica ganha força por partir de alguém com extensa trajetória pública. “A minha idade não é sinal de fraqueza, mas de experiência. São décadas dedicadas ao povo”, afirmou.
O deputado ainda agradeceu aos “verdadeiros amigos” que o alertaram sobre os boatos. O recado foi dado. Resta saber se a direção petista vai tratar o assunto com a seriedade que ele merece — ou se vai fingir que o problema não existe.
Confira o discurso na íntegra no instagram do Deputado.
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