Executivo
Metade dos cursos de medicina da Paraíba tem resultado insuficiente
20/01/2026 04:43

Suetoni Souto Maior

Qualidade da formação preocupa especialistas. Foto: Rovena Rosa/ABr

O resultado do mais recente exame nacional que avalia a formação médica acendeu um sinal vermelho — e a Paraíba aparece no retrato sem muito o que comemorar.

Dos 351 cursos de Medicina avaliados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), nada menos que 107 — quase um terço — tiveram desempenho considerado insatisfatório. São cursos em que menos de 60% dos alunos demonstraram proficiência mínima. Na prática, é a confirmação oficial daquilo que já se comenta nos bastidores da educação médica há anos.

A classificação vai de 1 a 5. E o quadro é preocupante: 24 cursos ficaram com conceito 1, o pior possível, e outros 83 receberam conceito 2. Ao todo, 99 dessas instituições serão alvo de processos administrativos de supervisão e podem sofrer sanções que incluem desde o bloqueio de novas vagas até a redução de cadeiras e, em casos extremos, a suspensão do vestibular.

Na Paraíba, o cenário expõe um contraste incômodo. Enquanto as universidades federais conseguem manter desempenho satisfatório — a Universidade Federal de Campina Grande (campi de Campina Grande e Cajazeiras) e a Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, alcançaram conceito 4 —, a maior parte das instituições privadas ficou abaixo do ideal.

A lista é reveladora. Apenas o Centro Universitário Santa Maria (Unifsm), em Cajazeiras, apareceu com conceito 3, o mínimo aceitável. Já outras escolas tradicionais do estado ficaram com conceito 2, entre elas a Faculdade de Medicina Nova Esperança (Famene), a Afya Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, o Centro Universitário Facisa e o Unipê. Nenhuma instituição paraibana obteve conceito máximo.

Os dados do Enade 2023 confirmam uma tendência nacional de piora em relação à última avaliação, feita em 2019. Naquele ano, 13% dos cursos não atingiam nível satisfatório; agora, o índice saltou para 20%. Especialistas apontam o crescimento desordenado como causa central do problema: em pouco mais de uma década, o número de cursos de Medicina mais que dobrou, sem que infraestrutura, corpo docente e campos de estágio acompanhassem essa expansão.

Diante do cenário, o Inep anunciou que, a partir de 2026, passará a realizar visitas presenciais às faculdades de Medicina. O MEC também estuda medidas mais duras, como incluir a nota individual dos alunos no diploma e submeter instituições municipais — justamente as que apresentam os piores resultados — à regulação federal.

Enquanto isso, o exame segue escancarando a desigualdade: onde há estrutura pública consolidada, os resultados aparecem; onde a expansão virou negócio, a conta chega — e quem paga é a qualidade da formação médica.

Veja o resultado paraibano na avaliação

Conceito 4

Universidade Federal de Campina Grade, nos campi de Cajazeiras e Campina Grande

Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa

Conceito 3

Centro Universitário Santa Maria (Unifsm), em Cajazeiras

Conceito 2

Faculdade de Medicina Nova Esperança (Famene), em João Pessoa

Afya Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba (Afya Paraíba), em João Pessoa

Centro Universitário Facisa (Unifacisa), em Campina Grande

Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), em João Pessoa

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