Executivo
Luciano Huck desiste (de novo) de disputar as eleições para presidente da República
16/06/2021 08:39
Suetoni Souto Maior
Luciano Huck participa do 'Conversa com Bial' — Foto: Reprodução/Instagram/lucianohuck

Não faz muito, um amigo conversou comigo dizendo considerar boas as chances do apresentador Luciano Huck numa eventual disputa pela Presidência da República. Na conversa, eu brinquei dizendo que ele sofria da “síndrome de Sílvio Santos” e que não seria candidato, como ocorreu com o dono do SBT em 1989. Não era chute, era certeza. Nesta terça-feira (15), no programa Conversa Com Bial, o apresentador admitiu que não será candidato. Vai assumir um programa dominical na Rede Globo, em substituição ao apresentador Fausto Silva.

Tem alguns pontos que corroboram para essa batida em retirada de Luciano Huck. Primeiro, o contrato com a Globo é milionário e isso conta, sim. Segundo, ninguém conhece o que realmente pensa o apresentador. Ele nunca deu uma entrevista se colocando como postulante e se sujeitando a perguntas em ambiente não controlado. E, sim, uma entrevista com Bial é ambiente controlado. O global, até agora, manifestou seu pensamento apenas através de artigos que não necessariamente foram escritos por ele.

A movimentação de Huck nas disputas eleitorais tem a consistência da empreendida pelos partidos do centrão na hora de viabilizar uma candidatura. É o que farão MDB, PSDB, DEM, Cidadania, Novo, Podemos, PV e Solidariedade, nesta quarta-feira, em Brasília. Difícil é imaginar que algo de consistente saia do encontro. O último que o grupo tentou eleger foi Geraldo Alckmin (PSDB), em 2018, e foi um fiasco. Isso porque a maior parte do centro está com Jair Bolsonaro e a outra tende a migrar para Lula. Nada muito além disso.

Em relação a Huck, o apresentador pensava em se filiar ao DEM e não vai mais. O ex-candidato do Novo, João Amoêdo, também já disse que não vai mais disputar as eleições. E por aí vai, sem muita mudança, com Lula (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido) polarizando a disputa.

“Eu acredito muito na TV aberta. É o que ainda mais nos conecta, longe do segundo lugar. Na década de 30, na grande depressão americana, quando o país estava muito parecido com o que o Brasil está agora, com a autoestima muito machucada — era um colapso emocional, mesmo — , todos os grandes estúdios da época sentaram em volta de uma mesa e juntos decidiram construir o ‘americam dream’, onde sempre haveria final feliz. Fizeram isso para resgatar a autoestima do povo americano. Então, eu, como um cara de comunicação que está há 25 nisso, acho que no ano de 22, e a partir daí, a TV aberta vai ter um papel tão importante, de resgatar a esperança das pessoas, de resgatar a autoestuima, de mostrar que a gente tem capacidade regenerativa depois de tudo isso que a gente está vivendo. Então, eu tenho certeza que posso contribuir muito para o país estando nos domingos da Globo”, disse Huck na entrevista a Bial.

Ou seja, assim como em 1989, o caminho do apresentador/candidato é o palco.

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