O cardeal norte-americano Robert Francis Prevost foi o escolhido para substituir o Papa Francisco. A escolha foi tornada pública no início desta tarde, em Roma, após a saída da fumaça branca da chaminé instalada na Capela Sistina. Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, o religioso, com alma missionária, atuou na América do Sul. Prevost reúne credenciais que agradam ao atual pontífice — e incomodam setores mais conservadores. Ele escolheu como nome Papa Leão XIV.
Nascido em Chicago, nos Estados Unidos, Prevost tem 69 anos e se torna o primeiro papa norte-americano da história da Igreja. É também o primeiro pontífice vindo de um país de maioria protestante.
Chamado por alguns de “pastor de duas pátrias”, Prevost viveu boa parte dos anos 80 no Peru, como missionário. Voltou de lá falando espanhol com fluência e com um olhar afiado para a realidade da Igreja na América Latina. Mais que isso: levou consigo a marca de uma atuação pastoral próxima dos pobres, sensível às feridas sociais — traço caro a Francisco.
Atualmente, está à frente do Dicastério para os Bispos, posto estratégico no organograma vaticano. É ali que se decide o perfil de quem vai comandar dioceses pelo mundo afora. A função deu a Prevost trânsito, poder de articulação e um mapa completo da Igreja global — trunfo de peso para quem entra na roda de apostas sobre o próximo papa.
De perfil discreto e voz tranquila, Prevost costuma evitar os holofotes e entrevistas. No entanto, é visto como um reformista, alinhado à linha de abertura implementada por Francisco. Tem formação sólida em teologia e é considerado um profundo conhecedor da lei canônica, que rege a Igreja Católica.
Entrou para a vida religiosa aos 22 anos. Formou-se em teologia na União Teológica Católica de Chicago e, aos 27, foi enviado a Roma para estudar direito canônico na Universidade de São Tomás de Aquino.
Foi ordenado padre em 1982 e, dois anos depois, iniciou sua atuação missionária no Peru — primeiro em Piura, depois em Trujillo, onde permaneceu por dez anos, inclusive durante o governo autoritário de Alberto Fujimori. Prevost chegou a cobrar desculpas públicas pelas injustiças cometidas no período.
Em entrevistas, fala manso, mas direto. “O bispo deve caminhar com o povo, sofrer com ele”, disse ao portal do Vaticano, em tom mais pastoral que institucional. Fala de Evangelho, mas com sotaque de base.
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