Executivo
João e Cícero: de ‘casamento arranjado’ a aliança prioritária para 2022
11/04/2021 11:59
Suetoni Souto Maior
João Azevêdo (D) tem definido as alianças para as eleições deste ano. Foto: Divulgação/Secom-PB

Os primeiros cem dias da gestão do prefeito Cícero Lucena (Progressistas) mostraram uma coisa que os mais céticos achavam improvável até bem pouco: alinhamento irrestrito com o governador João Azevêdo (Cidadania). Alguém pode correr a dizer: “mas eles formaram aliança em 2020 foi para isso mesmo”. E vou dizer que isso é bem verdade, como é verdade também que não raro alianças formadas por conveniência tendem a gerar relações “apimentadas” pela desconfiança.

João Azevêdo vem de formação em partidos de esquerda e não abandonou o lado político, apesar do distanciamento do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), seu padrinho na disputa vitoriosa de 2018. Já Cícero teve sua origem na centro-direita, como linha auxiliar dos Cunha Lima. Uma relação, no entanto, desgastada pelo tempo, que hoje aponta mais discordâncias que afinidades. A convergência entre João e Cícero, improvável há alguns anos, se tornou conveniente em 2020.

Daquele acordo costurado na segunda metade do ano passado, os dois políticos passaram a vislumbrar alianças para o futuro. A configuração final não será simples, mas o alinhamento de agora aponta para a reedição do acordo no ano que vem. O ponto inicial da sincronia é visto nas ações de enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus. Mas a afinidade é evidente, também, na área administrativa, principalmente em relação às obras públicas.

A aliança, caso seja confirmada, servirá para o enfrentamento das pré-candidaturas já alinhavadas dos ex-prefeitos Luciano Cartaxo (PV), de João Pessoa, e Romero Rodrigues (PSD), de Campina Grande, além do deputado estadual Wallber Virgolino (Patriotas). As chances de postulação do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) vão depender muito do desfecho das decisões judiciais nas áreas criminal e eleitoral enfrentadas por ele. Não é uma situação fácil.

Outro ponto que precisa ser analisado é o comportamento da senadora Daniella Ribeiro (Progressistas). Apesar de ela ser do mesmo partido do prefeito, colocou desde o início que não pretende ter alinhamento com o governador. Muitos a veem como munição do PP em caso de eventual, mas improvável, perda de capilaridade do governador. A tendência é que o partido siga João Azevêdo e faça um movimento para indicar o vice.

É muito cedo para dizer o tamanho da influência das eventuais candidaturas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ex-presidente Lula (PT) nas postulações locais. A história mostra que o movimento descendente de apoio costuma produzir efeito limitado nos Estados. De qualquer forma, isso deve contribuir para o surgimento de candidaturas mais ideologizadas nas bordas do tabuleiro político.

O ex-governador de Minas, Magalhães Pinto (já falecido), costumava dizer que política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou. Então, se tomarmos essa lição e olharmos o céu agora, veremos uma tendência forte de manutenção da aliança para 2022. Se para além disso, observarmos as condições de temperatura e pressão, veremos que dificilmente isso deve mudar. A conferir.

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