Gleisi Hoffmann e Alexandre Padilha tomam posse nesta segunda-feira (10) como ministros das Relações Institucionais e da Saúde, respectivamente. Ambos têm missões estratégicas voltadas para as eleições de 2026. Enquanto Gleisi terá a tarefa de articular alianças políticas para fortalecer a campanha do governo, Padilha assume a responsabilidade de dar visibilidade às ações da Saúde, em especial ao Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE).
As nomeações acenderam o sinal de alerta entre petistas e aliados, notadamente os do centrão. A preocupação é visível, principalmente, em relação a Gleisi Hoffmann, conhecida por seu temperamento combativo. “Lula parece estar se esforçando para perder a eleição”, disse um petista ouvido pelo blog, apesar de muitos dizerem que esta é justamente a intenção do gestor. Em relação a Padilha, a dúvida é se haverá tempo para fazer algo impactante no Ministério da Saúde. O risco é afastar cada vez mais os aliados do centrão.
Voltando a Gleisi, logo na véspera de sua posse, ela deu o tom de seu posicionamento político ao criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais. Em publicação no X (antigo Twitter), ela acusou Bolsonaro de “bajular” o ex-presidente americano Donald Trump e o criticou por apoiar medidas protecionistas dos EUA que podem prejudicar exportações brasileiras. “Bolsonaro não deve ser tão burro assim, mas pensa que a gente é. E não perde a mania de mentir e bajular seu ídolo estadunidense. Nosso país é o Brasil e é aqui que ele vai responder por seus crimes”, escreveu.
Com a saída de Flávio Dino do Ministério da Justiça para o Supremo Tribunal Federal (STF), Gleisi deve preencher o espaço deixado nos embates com a oposição, especialmente com os bolsonaristas. No entanto, sua postura combativa causa apreensão em parte do governo, diante de possíveis atritos com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Nos últimos dois anos, como presidente do PT, Gleisi já havia criticado decisões econômicas adotadas por Haddad.
Mesmo assim, o presidente Lula escolheu figuras de perfil mais combativo para a reformulação ministerial, buscando energizar a militância e reforçar a presença política do governo. Gleisi, além de sua atuação no Congresso, será peça-chave na construção das alianças eleitorais para 2026, seja para apoiar uma nova candidatura de Lula ou viabilizar um sucessor. A aliados, ela tem reiterado que sua prioridade será a articulação política, sem interferência direta na economia.
Retorno à Saúde
A troca no comando da Saúde reflete a intenção do governo de aumentar a visibilidade das ações da pasta. Padilha, que já foi ministro durante o governo Dilma Rousseff e implementou o programa Mais Médicos, retorna com a expectativa de tornar a Saúde uma vitrine positiva para o governo Lula.
A principal demanda é dar impulso ao PMAE, lançado em abril de 2024, mas que ainda não atingiu o impacto esperado na redução da fila por especialistas e exames no SUS. Antes da mudança, Lula havia cobrado pessoalmente resultados mais expressivos da ex-ministra Nísia Trindade, cuja gestão enfrentava críticas, especialmente pela lentidão na liberação de emendas parlamentares.
Além de retomar o protagonismo do ministério, Padilha também terá o desafio de melhorar o diálogo com o Congresso, onde sua antecessora enfrentava resistência. Para reforçar o apelo popular do programa de especialistas, o governo estuda até mesmo mudar seu nome, buscando uma marca mais acessível à população.
Com maior bagagem política e histórico de visibilidade pública, Padilha chega ao cargo com a missão de reforçar a imagem do governo nas áreas sociais e ampliar sua presença nas redes e na imprensa.
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