Na última sexta-feira (10), ao ser abordado por jornalistas, em João Pessoa, o deputado federal Wilson Santiago (Republicanos) falou sobre as negociações conduzidas nacionalmente para a fusão de PP, União Brasil e Republicanos. Na prática, caso saia do papel, a nova agremiação terá 153 deputados. Seria um gigantismo capaz de oferecer soluções ou dissabores para o governo de plantão. E o que emperra isso? As conveniências paroquiais. Na visão do deputado, tudo ainda precisa ser bem negociado e a Paraíba é um exemplo disso.
Republicanos e PP, dos deputados federais Hugo Motta e Aguinaldo Ribeiro, respectivamente, estão na base do governo de João Azevêdo (PSB). Ambos têm planos para a sucessão, em 2026, que serão facilitados ou dificultados de acordo com o movimento do atual mandatário (ele sai para disputar o Senado ou conclui o mandato?). Por outro lado, o União Brasil do senador Efraim Filho caminha para se manter na trincheira oposta, junto ao grupo Cunha Lima, que manda e desmanda historicamente no PSDB. Isso pode mudar? Lógico. Se na política até o passado é incerto, imagine numa conjuntura em construção.
Acontece que a Paraíba é apenas uma pequena amostra do que uma eventual união destas três siglas gigantes poderia enfrentar de dificuldade no país inteiro. Entre os dirigentes nacionais, a negociação nem é difícil. Só há ganhos. Enquanto representantes do centrão, os partidos adotam postura flex. Estavam (e em parte ainda estão) com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e agora estão com o presidente Lula (PT). Com uma bancada robusta, sentariam na mesa com maior poder. Ciro Nogueira (PP-PI), Antonio Rueda (União) e Marcos Pereira (Republicanos-SP) estão caminhando com a negociação.
O que empata é a realidade local. Uma fusão abriria espaço para o crescimento dos partidos? Sim, lógico. Mas também escancararia a porta para que os incomodados pudessem se mudar sem perder o mandato. Vejamos um exemplo claro: PSDB, MDB e PSD negociam uma fusão. Dá para imaginar o tucano Pedro Cunha Lima batendo um papo, numa mesa, com o senador emedebista Veneziano Vital do Rêgo. Mas dá para acrescentar mais uma cadeira para a senadora Daniella Ribeiro, do PSD? Não dá. Não sem sair faíscas. Alguém teria que ceder ou deixar o partido. E os ganhos precisam ser maiores que as perdas.
O mais lógico seria o ex-todo poderoso PSDB se unir ao Solidariedade, como há negociações em curso. A federação com o Cidadania foi um fracasso, com os tucanos elegendo apenas 13 deputados e o Cidadania 5. O SD acrescentaria outros quatro a essa conta. Tem ainda PT, PCdoB e PV discutindo uma fusão. Os três formaram uma federação em 2022 e ela foi proveitosa para todos. Os petistas elegeram a segunda maior bancada da Câmara (68 deputados), atrás apenas de um PL (99) turbinado por Jair Bolsonaro quando ainda era presidente.
O fato é que as conversas continuam, serão rodadas e mais rodadas de negociações, mas dificilmente elas resultarão em fusão.
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