As últimas semanas têm sido conturbadas na Paraíba, nas relações internas do partido do presidente Jair Bolsonaro, o PL. Se a tradição diz que toda tempestade começa com uma leve brisa, foi assim também com o Partido Liberal por aqui. Primeiro, no dia 20 de agosto, o estudante de medicina Antônio Cristóvão de Araújo Silva Neto, o Queiroguinha (PL), anunciou a desistência de disputar um cargo de deputado federal. Ele é filho do ministro Marcelo Queiroga (Saúde). Na época, o blog apurou que a falta de verba partidária era um dos motivos. O assunto, no entanto, foi cozinhado em banho maria. E assim seguiu até explodir como uma panela de pressão.
O ápice da discórdia ocorreu no fim de semana, envolvendo três personagens principais: o deputado federal Wellington Roberto, comandante da sigla, o candidato a deputado federal Policial Caio, e o deputado estadual Cabo Gilberto. Os três vinham se desentendendo há tempos nos bastidores, mas com todas as versões negadas em público. Até que fim de semana, em Soledade, no Cariri, houve gritaria, empurra-empurra, troca de insultos e risco de a festa ‘acabar na bala’. As imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que Caio supostamente tenta puxar uma arma e é contido. Ele nega que estivesse armado.
Em meio a tudo isso, pelo que o blog apurou, tem ego ferido e briga pelos recursos do Fundo Partidário prometido. Isso acontece porque pouco do ‘viu metal’ previsto no Fundo Eleitoral chegou por aqui. Foram pouco mais de R$ 2,3 milhões e o bolo principal ficou com Wellington Roberto. Ele recebeu R$ 1,1 milhão, enquanto o Cabo Gilberto ficou com R$ 175 mil. Outras pessoas menos conhecidas do público receberam mais, como a Cantora Munique Marinho, que terá R$ 250 mil. Não há registro de transferências para o Policial Caio e para Arthur Cunha Lima Filho.
Veja os valores abaixo
Cabo Gilberto R$175.000,00
Cantora Munique Marinho R$250.000,00
Ilmara Morais R$153.200,00
Irmã Rute Neri de Freitas Santos R$ 100.000,000
Rafael Tchutchuca R$200.000,00
Raquel Santana R$150.000,00
Romeu Lemos R$100.000,00
Wellington Roberto R$1.100.000,00 (45%)
Wilsinho R$200.000,00
E para piorar, para quem esperar mais dinheiro, pode tirar o cavalinho da chuva. Pelo menos, quem esperar dinheiro do Fundão. Isso porque o partido já repassou quase a totalidade do que tinha disponível para os candidatos. Do bolo de R$ 268 milhões, R$ 325 milhões, somando o fundo eleitoral a reservas do fundo partidário, já foram distribuídos. Em vídeo encaminhado a correligionários no início da semana, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, alertou que os recursos praticamente já acabaram e fez um apelo para doações.
Em relação à ‘fogueira das vaidades’, militantes do PL alegam que os enfrentamentos entre Wellington Roberto e Cabo Gilberto teriam entre os motivos o fato de o militar transitar melhor entre o eleitorado conservador. O dirigente do partido nega que haja divergências e o Cabo Gilberto, apesar do que ocorreu no fim de semana, nega problemas de convivência. “Por mim está tudo zerado”, alega. O risco com as desavenças internas na sigla é que a briga contamine as canditaturas majoritárias: a de Bolsonaro e a de Nilvan Ferreira, no Estado.
Nilvan, vale ressaltar, tem buscado tirar o foco da briga interna. O medo dos apoiadores é que a candidatura dele perca tração no momento em que o postulante busca passar para o segundo turno. O que é evidente em tudo isso é que a coisa fugiu do controle e poderá complicar ainda mais a vida dos postulantes.
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