O médico Fernando Cunha Lima, de 81 anos, foi preso nesta sexta-feira (7), em Pernambuco, depois de quatro meses foragido. Ao ser conduzido pela Polícia Civil, ele foi abordado pela imprensa, em João Pessoa. Se alguém pensou em ouvir palavras de arrependimento ou garantias convincentes de que não teria praticado os crimes alegados pelos seus acusadores, se enganou. O que se viu foi uma figura confiante na impunidade. “Vou dicar só dois dias (na cadeia) e saio”, disse.
Cunha Lima estava foragido havia quatro meses, acusado do estupro de crianças que eram suas pacientes. Ao jornalista Wallisson Bezerra, disse estar sendo alvo de mentiras. Ao ser confrontado com as declarações da sobrinha Gabriela Cunha Lima, que disse ter sido abusada pelo médico quando tinha nove anos, classificou a vítima de maior mentirosa de todas. Disse ainda ter tratado mais de 60 mil crianças e questionou porque está sendo acusado de ter estuprado apenas três.
Ao responder por que estava foragido e não se entregou à Justiça, disse não ter sido esta a orientação dos advogados. Ao se referir às vítimas, acusou todas de estarem mentindo. O caso veio à tona no dia 25 de julho do ano passado, quando uma mãe relatou à polícia ter visto o médico tocar as partes íntimas de uma criança de nove anos. Dias depois, o caso ganhou maior repercussão com as declarações da sobrinha, já adulta, que relatou crimes que teriam ocorrido 30 anos antes, quando era criança.
Após as declarações do médico, os advogados Lucas Mendes e Aécio Farias revelaram ter impetrado habeas corpus em favor de Fernando Cunha Lima. Eles se posicionam contra o fato de os policiais terem trazido o médico para João Pessoa. Segundo os juristas, “a audiência de custódia deve ocorrer no local em que ocorre a prisão como há 10 anos decidiu o Conselho Nacional de Justiça”.
Ainda segundo a defesa, desde 21 de fevereiro, o médico pediu para ser preso e cumprir sua prisão no Recife por temer por sua integridade física e ser o local onde mora sua família.
Mas para além dos argumentos da defesa, a certeza do suspeito de que estará solto em dois dias cheira a uma marca historicamente triste do nosso ordenamento jurídico: a impunidade para quem tem dinheiro.
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