Executivo
Em tom de brincadeira, Lula diz que Trump não mexeria com o Brasil se conhecesse seu “parentesco com Lampião”
09/02/2026 15:07

Suetoni Souto Maior

Lula participa de evento do Instituto Butantan em São Paulo/ Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

O presidente Lula (PT) decidiu dar uma improvisadazinha em um discurso, nesta segunda-feira (9), em Brasília. Ele misturou geopolítica com cangaço — e, claro, humor político — ao comentar a relação com Donald Trump. Em evento no Instituto Butantan, em São Paulo, o gestor disse que se o americano conhecesse seu “parentesco com Lampião”, pensaria duas vezes antes de provocar o Brasil. Disse em tom de brincadeira, mas com aquela camada típica de recado diplomático disfarçado de anedota.

Lula tratou de reduzir a temperatura logo depois. Garantiu que não quer briga com Trump. Não por falta de disposição, mas porque, segundo ele, existe até o risco de o Brasil sair ganhando — frase que arrancou risos.

No improviso, Lula reforçou o personagem: teimoso, “tinhoso” e disposto a defender o país. Citou a “sanguinidade de Lampião” como metáfora de resistência política. Ao mesmo tempo, reposicionou o discurso para onde realmente queria chegar: o multilateralismo como eixo da política externa brasileira.

Segundo Lula, a aposta do Brasil é na disputa de narrativa global. A ideia é vender ao mundo a tese de que o sistema multilateral ainda é o melhor caminho para estabilidade internacional. Na visão do presidente, foi esse modelo que ajudou a sustentar a paz em parte do planeta após a Segunda Guerra Mundial. Já o unilateralismo — a lógica de que o mais forte impõe regras ao mais fraco — não interessa ao país.

No pano de fundo desse discurso está a agenda com Washington. Em 26 de janeiro, Lula e Trump conversaram por telefone e acertaram um encontro presencial. O presidente brasileiro já confirmou viagem aos Estados Unidos em março, para uma reunião “olho no olho”.

A visita acontece em meio a negociações sobre cooperação estratégica, principalmente na área de segurança pública. O Planalto quer ampliar parcerias contra lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos de organizações criminosas e troca de dados financeiros. Segundo o governo brasileiro, a sinalização foi bem recebida pela Casa Branca.

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