O novo presidente da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso, Gilberto Nascimento (PSD-SP), não pretende fazer oposição ferrenha ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações foram dadas em entrevista ao jornal O Globo. O parlamentar foi eleito com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas justifica sua posição com o argumento de que a escolha do nome dele se deu por um “movimento natural” impulsionado pelo desejo da bancada de ter um líder capaz de dialogar com diferentes setores da política nacional.
Nascimento diz que a posição contrária ao governo vem dos partidos, não da bancada. Sobre a gestão de Lula propriamente dita, o parlamentar tem críticas. Elas são relacionadas à condução econômica. O deputado afirma que o governo tem deixado a desejar na administração do país. Ele atribuiu a rejeição ao presidente entre os evangélicos às pautas progressistas do atual governo. “Quando se fala em liberação das drogas nas igrejas, há um desespero. Isso tem causado descontentamento.”
Nascimento, que participou da fundação da bancada evangélica, mas nunca a presidiu antes, destacou que sua escolha foi motivada pelo consenso entre os membros. “Fui convidado por parlamentares que queriam alguém capaz de dialogar com todos os lados”, afirmou.
A eleição de Nascimento foi a primeira da história da frente parlamentar realizada por meio de voto, evidenciando a falta de consenso entre os membros. No entanto, ele rejeita a ideia de que haja uma divisão interna. “Temos membros desde o PSOL ao PL. Somos uma bancada da fé e precisamos de diálogo, união e respeito”, disse.
Questionado sobre seu alinhamento ideológico, Nascimento se definiu como conservador, destacando sua defesa da família, posição contrária ao aborto e às drogas. Apesar disso, ele busca evitar um rótulo partidário. “Sou um homem do diálogo”, ressaltou.
Prioridades para 2025
Entre os principais temas que estarão na agenda da bancada evangélica sob sua liderança, Nascimento citou a necessidade de monitorar decretos e portarias governamentais que possam afetar os interesses do grupo. “Precisamos estar atentos e a postos para lutar se for preciso”, afirmou.
Um dos projetos que pode ganhar destaque é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Marcelo Crivella, que amplia a imunidade tributária para templos religiosos. “Vamos trabalhar nisso, claro”, garantiu.
Ao assumir a liderança da bancada evangélica, Gilberto Nascimento se coloca como um articulador entre diferentes alas do Congresso. Resta saber como sua postura conciliadora irá impactar o papel da bancada nas decisões políticas do país nos próximos anos.
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