As informações de suposto roubo no Hospital Padre Zé, em João Pessoa, têm dominado o debate, na Paraíba, nos últimos dias. Há coisas cabeludas à vista e outras que deverão ser desnudadas em breve, inclusive, com possível comprometimento de gente poderosa. O que todo mundo já sabe diz respeito ao escândalo dos celulares e equipamentos doados pela Receita Federal à instituição e que simplesmente desapareceram de lá. Os prejuízos estimados chegariam a mais de R$ 500 mil. Um funcionário foi preso e o padre Egídio de Carvalho Neto, responsável pela administração da unidade, pediu para sair.
Padre Egídio estava à frente do Hospital Padre Zé há cinco anos, mas a instituição tem 90 anos de prestação abnegada de serviços à população paraibana. Sempre sobreviveu de doações e nunca teve vida financeira folgada. O religioso pediu afastamento do cargo há dois dias e o pedido foi aceito de pronto pelo arcebispo da Paraíba, Dom Delson Pereira. O mandatário aproveitou a oportunidade para fazer uma verdadeira dança das cadeiras em várias paróquias abrangidas pela administração diocesana, justamente no dia em que a instituição religiosa comunicou o afastamento do padre.
Agora, com a saída do Padre Egídio, outro religioso será escolhido para o cargo e terá a missão de reconstruir o bom conceito do Hospital Padre Zé. Até agora, quem aparece como suspeito no caso dos celulares é o funcionário do hospital chamado Samuel Segundo. Ele acompanhou neste ano o padre em viagem para receber os equipamentos e, recentemente, foi preso por causa das acusações de envolvimento com o sumiço das peças. A prisão preventiva foi convertida três dias depois em liberdade com cumprimento de medidas cautelares, inclusive, tornozeleira eletrônica.
Mas quem espera que a coisa pare por aí, poderá ter uma grande surpresa em breve, motivada por investigações que estão em curso. O Ministério Público da Paraíba apura irregularidades bem mais graves que as citadas no início deste texto e que poderão implicar bem mais que a direção da unidade hospitalar e trabalhadores da instituição de saúde. Por enquanto, não há como dizer exatamente quem são os responsáveis. As investigações vão indicar isso.
Agora, é bom que se diga: para este caso, o remédio a ser adotado precisa curar o paciente e não matá-lo. Quero dizer, com isso, que as pessoas que destinam recursos para o hospital precisam continuar fazendo as doações, para evitar que as pessoas atendidas sejam prejudicadas. O serviço de atendimento aos doentes tem que continuar. Já os responsáveis por eventuais desvios, estes sim, precisarão reparar o dano e ir para a cadeia.
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