Executivo
Dirigentes do PSDB darão entrevista coletiva nesta segunda em meio ao desafio do partido de provar que ainda é grande
20/12/2021 08:05
Suetoni Souto Maior
Pedro Cunha Lima garante que será candidato ao governo, independente de partido. Foto: Divulgação

Os dirigentes do PSDB da Paraíba darão entrevista coletiva nesta segunda-feira (20) para anunciar o futuro político da legenda. Depois de ter definido em julho o apoio à tentativa frustrada de candidatura do ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD), a sigla ficou como se diz no popular “num mato sem cachorro”. Não se preparou com antecedência para a disputa e agora terá que construir pontes que levem a agremiação a disputa das eleições do ano que vem com relativa segurança. Assim como no plano nacional, o desafio tucano é provar que ainda é um partido grande.

O partido comandou o Estado de 2003 a 2009, quando o ex-governador Cássio Cunha Lima teve o mandato cassado. Ele conseguiu retornar à política no ano seguinte, quando foi eleito senador e cumpriu o mandato até 2018. Neste meio tempo, teve ainda uma tentativa frustrada de ser eleito governador, em 2014. O ex-parlamentar e ex-governador não conseguiu renovar o mandato de senador quatro anos depois e agora tende a disputar a eleição para deputado federal. Por outro lado, o filho, Pedro Cunha Lima, atual deputado federal, deve ir para a disputa do governo.

Uma caminhada majoritária para Pedro não surge como uma estrada pavimentada e lisa. A viabilidade eleitoral desejada pelo partido precisará ser construída. Para isso, não terá como contar com um apoio forte de uma candidatura nacional da sigla. Pelo menos, não é isso que demonstra nos seus primeiros passos a postulação do governador de São Paulo, João Dória (PSDB). Assim como na Paraíba, o tucano paulista patina nas pesquisas e tentará crescer à sombra das principais candidaturas, que, por ora, são as do ex-presidente Lula (PT) e do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Outro desafio de Pedro é ampliar o leque de aliados para se distanciar da proximidade construída com Bolsonaro. Apesar de Pedro não ter integrado oficialmente a base de apoio do presidente no Congresso Nacional e de ter sido crítico em alguns momentos, chegou a indicar nome para o governo e votou com muita frequência alinhado com a ala governista. Sem falar que na Paraíba, o clã Cunha Lima manteve alinhamento ideológico com o presidente após as eleições de 2018. Mais recentemente, o ex-prefeito Romero Rodrigues buscou o descolamento da imagem do presidente, devido à queda acentuada na avaliação do gestor.

A entrevista coletiva do PSDB que deve ratificar o nome de Pedro como candidato ao governo, por isso, precisa não apenas apresentar o nome, mas dizer por qual caminhos ele vai seguir. Afinal, ele terá pela frente um adversário duro, que é o governador João Azevêdo (Cidadania). O gestor tem demonstrado resiliência no caminho para a disputa da reeleição, sem praticamente ser incomodado pela oposição, que não consegue se unir. O PSDB tem a maior bancada federal paraibana e teve o monopólio da política paraibana por quase uma década. Agora tem o desafio de buscar a reconstrução.

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