Executivo
Desalojados do poder: Manoel Júnior é só mais uma ‘vítima’ da dança das cadeiras nos partidos na Paraíba
12/01/2022 18:24
Suetoni Souto Maior
Candidatos brigam por prefeitos para a disputa eleitoral. Foto: Antônio Augusto/TSE

O prefeito de Pedras de Fogo, Manoel Júnior, divulgou nota nesta quarta-feira (12) com críticas ao comando nacional do Solidariedade por tê-lo destituído do comando do partido no Estado. O gestor do município metropolitano criticou a forma “abrupta e antidemocrática” com que foi retirado da presidência. As críticas feitas pelo prefeito, no entanto, são apenas a repetição do que ocorreu com várias outras legendas no Estado que, em menos de dois anos, sofreram grandes transformações a partir de mudanças de comando e até de viés ideológico.

Os casos mais recentes mostram de viradas surpreendentes a acomodações mais arraigadas em determinados grupos políticos. Na linha de ruptura, um caso a ser lembrado é o do PTB, do ex-deputado federal Roberto Jefferson (RJ). O dirigente, preso no ano passado por causa de envolvimento nos atos antidemocráticos, tirou o comando do partido no estado das mãos do deputado federal Wilson Santiago e o passou para o comunicador Nilvan Ferreira (ex-MDB). De quebra, a agremiação saiu da base de apoio ao governador João Azevêdo (Cidadania) e foi para a oposição.

Houve treta também no Podemos, no ano passado. O partido saiu das mãos de Ana Cláudia Vital do Rêgo, mulher do senador Veneziano Vital do Rêgo, e foi para Júnior Queiroz Pires. A sigla permaneceu no arco de aliança de Azevêdo, mas a intervenção nacional gerou um estremecimento entre o senador e o governador que perdura até hoje. O parlamentar, por outro lado, migrou do PSB para o MDB para ser efetivado no comando do partido. Ele substituiu o ex-senador José Maranhão, falecido no ano passado. O partido se divide hoje entre a perspectiva de uma candidatura própria ou permanecer na base de apoio a João.

Houve dança das cadeiras também no Pros. O partido era comandado até abril do ano passado por Michel Henriques, filho do ex-deputado João Henriques, falecido em decorrência da Covid-19. Michel foi substituído no cargo por Fábio Carneiro, irmão do deputado estadual Eduardo Carneiro (PRTB). Com a manobra, a sigla saiu do campo da oposição para o apoio a João Azevêdo. A articulação não ficou sem resposta do PRTB, que puxou o tapete do deputado. Uma decisão do comando nacional do partido trocou o comando da agremiação no Estado, que foi para as mãos de André Henrique Pimentel.

Houve mudança mais harmônica no caso do Avante. A sigla era comandada pelo ex-deputado estadual Genival Matias, que faleceu em meados de 2020. O comando do partido foi para as mãos da prefeita de Pocinhos, Eliane Galdino. A perspectiva agora, com a janela partidária, é que o marido dela, Adriano Galdino, presidente da Assembleia Legislativa, troque o PSB pelo Avante e passe a comandar a sigla de fato. O partido era da base de João Azevêdo e vai continuar no mesmo lugar para a disputa das eleições deste ano.

Por fim, chegamos ao PSB do deputado federal Gervásio Maia. A sigla era comandada pelo ex-secretário de Governo, Edvaldo Rosas, até 2019. Depois de um embate envolvendo o ex-governador Ricardo Coutinho (hoje no PT) e João Azevêdo, o partido saiu de mão em mão até ser assumido por Maia. A sigla, hoje, tem construído um caminho de reaproximação com o governador. Pode até se transformar em um possível destino em caso da construção de uma federação envolvendo o Cidadania, atual sigla de João, e o PSDB.

Ou seja, o que não faltou desde a eleição passada, na Paraíba, foi partido mudando de “dono”. E há indicativos de que isso não vai parar…

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