O Supremo Tribunal Federal inicia nesta segunda-feira (19) uma maratona de oitivas no inquérito que apura a articulação golpista atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados próximos. Entre hoje e o dia 2 de junho, 82 testemunhas serão ouvidas por videoconferência. A medida busca evitar o alinhamento de versões entre os depoentes.
As audiências fazem parte da ação penal que tramita sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Os depoimentos serão conduzidos por um juiz auxiliar e ocorrerão longe das câmeras — nem advogados nem imprensa poderão gravar as sessões. A etapa antecede o interrogatório dos réus, ainda sem data marcada.
Os depoentes incluem nomes do alto escalão militar e político, como o ex-comandante do Exército general Freire Gomes — que, segundo a investigação, teria ameaçado prender Bolsonaro após proposta de adesão das Forças Armadas ao golpe. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e os ex-ministros Paulo Guedes, Marcelo Queiroga e Adolfo Sachsida também estão entre os chamados.
O ex-presidente é acusado de liderar o chamado “núcleo 1” da trama, composto por figuras centrais na tentativa de ruptura institucional. Além dele, respondem ao processo o general Braga Netto, Augusto Heleno, Alexandre Ramagem, Anderson Torres, Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira e Mauro Cid — este último, delator.
Todos foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e formação de organização criminosa armada. A denúncia foi aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em março.
O plano do STF é concluir a fase de instrução ainda neste semestre e levar o caso a julgamento antes do fim do ano. Se condenados, os réus podem pegar mais de 30 anos de prisão.
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