Judiciário
Debandada nas Forças Armadas mostra que ‘meu Exército’ de Bolsonaro não é dele
30/03/2021 16:31
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Comandantes militares entregam os cargos após exoneração de Azevedo e Silva. Foto: Montagem/ABr

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez carreira na política usando como símbolo as Forças Armadas. Militar reformado, ele gostava (e gosta) de inserir o pronome possessivo “meu” antes da palavra Exército. A demissão do ministro Fernando Azevedo e Silva (Defesa), nesta segunda-feira (29), no entanto, foi o prenúncio de que viria crise pela frente. Nesta terça-feira, os comandantes Edson Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica) pediram exoneração dos respectivos cargos.

A notícia caiu como uma bomba nos meios político e militar. Apesar de que já havia essa expectativa, já que a escolha do também general Braga Netto, que chefiava a Casa Civil, para substituir Azevedo e Silva não foi o suficiente para acalmar os ânimos. As informações de bastidores dizem que a reunião que precedeu a renúncia foi bastante tumultuada. No final, uma nota oficializou a saída dos comandantes dos três órgãos que compõem as Forças Armadas.

A nota do ministério não informa o motivo das saídas nem os nomes de quem ocupará os comandos das três Forças Armadas. Nesta segunda, ao anunciar que deixaria o cargo de ministro da Defesa, Azevedo e Silva agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro a oportunidade de “servir ao país”, integrando o governo por mais de dois anos. “Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”, afirmou, destacando que deixa o posto com a certeza de ter cumprido sua “missão”.

Azevedo e Silva também disse ter dedicado total lealdade ao presidente, e agradeceu aos comandantes das Forças Armadas (Aeronáutica, Exército e Marinha), bem como às respectivas tropas, “que nunca mediram esforços para atender às necessidades e emergências da população brasileira”. O resultado final da reunião ocorrida nesta terça-feira, no entanto, mostrou que o clima não ficou tão bom assim. As demissões ocorrem um dia antes do aniversário de 57 anos do golpe militar.

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