As pessoas se acostumam a ver com frequência casos de violência doméstica nos extratos mais pobres da população, mas se surpreendem quando eles são gerados pela elite, principalmente quando ela habita a política e o Judiciário. Nestes casos, historicamente, tudo é varrido para debaixo do tapete. Mas não é isso que tem ocorrido no caso da senadora Daniella Ribeiro (PP). Depois de anos de silêncio, ela agora fala abertamente ter vivido um relacionamento abusivo.
Em seminário promovido pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, nesta sexta-feira (10), disse ter sido sufocada várias vezes com um travesseiro por um homem, segundo ela, especialista em ser socialmente agradável. Contou ainda que foi obrigada a fazer uma tatuagem nas costas com o nome dele e que hoje ela não é mais vista porque foi coberta pela imagem de uma flor. Sem arrodeios, mas também sem citar nome, a senadora revelou aos magistrados que o abusador referido por ela era um juiz.
“Desembargador Leandro [dos Santos], enquanto o senhor estava no seu apartamento, que é o mesmo prédio que eu, eu muitas vezes estava debaixo de um travesseiro sendo sufocada. E a pessoa que fazia isso, do lado de fora, era um mestre em ser socialmente agradável”, afirmou, sem esconder a mágoa que carrega consigo.
Casos como o relatado por Daniella sempre foram comuns, apesar de serem invisibilizados. Em muitos casos, isso ocorre pela vergonha da vítima. Outras, por medo. E ainda há os casos em que a violência escala para algo ainda mais grave: o feminicídio. Por conta disso, os casos precisam ser denunciados e os abusadores, sempre que comprovado o crime, precisam pagar pelo malfeito. Caso contrário, essas histórias vão continuar ocorrendo.
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