Executivo
Da relação de Ricardo com o PSB, só restaram ressentimentos
04/08/2021 08:38
Suetoni Souto Maior
Carlos Siqueira fala de prejuízos ao partido causados por apoio a Ricardo. Foto: Divulgação

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, faz planos para a reconstrução do partido, na Paraíba, sem o ex-governador Ricardo Coutinho. De saída do partido, o ex-gestor faz gestões para se filiar ao Partido dos Trabalhadores, com anuência do ex-presidente Lula. As declarações de Siqueira, no entanto, dão pistas de que o ex-gestor não deixará saudade. Uma a uma, o dirigente narrou ao jornalista Wallisson Bezerra, da Rede Mais, problemas resultantes de opções de Coutinho que foram apoiadas pela sigla.

Ele narrou a briga com João Azevêdo, decorrente da intervenção no partido. Lembrou que, com isso, a sigla perdeu o governador João Azevêdo (Cidadania). Falou também de problemas gerados com Veneziano Vital do Rêgo e que tiveram como resultado a perda de um senador. E disse que foram gerados desconfortos também para o atual presidente do partido, Gervásio Maia. Neste caso, a agremiação não quis comprar o desgaste. Carlos Siqueira espera que, sem Ricardo, Maia possa organizar o PSB para a conquista de uma bancada federal, que é prioridade do partido.

O dirigente lembrou, também, todo o desgaste resultado da operação Calvário, do Ministério Público da Paraíba. As investigações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) apontaram o ex-governador como chefe de uma suposta organização criminosa que teria desviado mais de R$ 134,2 milhões do Estado. Tudo isso teve impacto na economia interna do partido. Siqueira diz que bancou a candidatura de Ricardo mesmo sabendo das chances ínfimas nas eleições de 2020, em João Pessoa. O partido gastou mais de R$ 1 milhão no pleito.

Além disso, citou a manutenção do ex-governador no comando da concorrida Fundação João Mangabeira. Agora, o caminho de Ricardo será o PT, para onde deve levar várias outras lideranças. Seguem o ex-gestor as deputadas Cida Ramos e Estela Bezerra e a ex-prefeita do Conde, Márcia Lucena. Siqueira diz que foi consultado pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, sobre possíveis incômodos com a mudança de partido. O presidente nacional do PSB disse que as portas estavam abertas para a saída do socialista.

Como Ricardo Coutinho a preço de hoje está inelegível, para o PSB, ao que parece, tinha virado um incômodo. Da relação duradoura, claramente, ficou apenas o ressentimento.

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