Executivo
Crise bate à porta: UFCG alerta para risco de inadimplência e cortes em serviços
12/05/2025 11:48

Beatriz Souto Maior

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) acendeu o alerta vermelho. Em comunicado divulgado no fim de semana, a instituição denunciou uma grave crise financeira provocada por cortes no orçamento e pela liberação irregular de verbas. A situação, segundo a própria universidade, pode levar à inadimplência e ao colapso de serviços essenciais.

Assinado pelo secretário de Planejamento e Orçamento, Mário de Sousa Araújo Neto, o documento detalha os impactos da restrição orçamentária: atrasos nos pagamentos a fornecedores, risco à continuidade de contratos com terceirizadas, dificuldades na manutenção da infraestrutura e ameaça à assistência estudantil. Tudo isso em meio ao funcionamento regular das atividades acadêmicas.

A causa do problema, aponta a UFCG, está na combinação de orçamento apertado e repasses mensais insuficientes, limitados por decretos federais publicados em março e abril. O texto oficial afirma que a liberação atual não cobre sequer a inflação acumulada, o que, na prática, representa uma redução real dos recursos em comparação a anos anteriores.

“A falta de equilíbrio orçamentário compromete o planejamento institucional, aumenta o risco de inadimplência e pode levar a despesas concentradas no fim do ano, contrariando os princípios de boa governança”, diz o comunicado.

Com a corda no pescoço, a universidade foi forçada a rever prioridades nos pagamentos. Bolsas estudantis, passagens e diárias para atividades acadêmicas essenciais, contratos com mais acúmulo de dívidas e renegociações passaram a ocupar o topo da lista.

O cenário da UFCG reflete uma crise nacional. Outras instituições federais também enfrentam dificuldades severas. A Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por exemplo, já anunciou um rombo de R$ 50 milhões até o fim do ano, o que levou à redução de contratos e risco de demissões de terceirizados.

No caso da UFCG, os números impressionam: corte de R$ 26 milhões no orçamento de 2025, dívida de R$ 1,6 milhão com a Imprensa Oficial, atrasos com empreiteiras e fornecedores de serviços básicos como energia, água e telefonia. As consequências são visíveis: postos de trabalho terceirizados não estão sendo recompostos, há desvio de função e sobrecarga de trabalhadores. No campo da infraestrutura, a universidade admite que precisa de 72 obras, mas só consegue manter 25 em andamento — e três delas estão embargadas judicialmente.

Para completar, a carência de professores só aumenta. A falta de verba impede novas contratações, agravando os problemas herdados da expansão universitária promovida durante o Reuni.

Em cinco anos, os cortes no orçamento da UFCG somam 43%. O impacto atinge a formação de novos profissionais, o desenvolvimento de pesquisas e a própria sobrevivência de programas de assistência estudantil.

A direção da universidade faz um apelo: ou o governo recompõe os recursos e ajusta o fluxo de repasses, ou o risco de paralisação será inevitável.

Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni

Palavras Chave