Executivo
Copa América: Seleção Brasileira amarela e mantém o histórico alienado e alienante
09/06/2021 08:05
Suetoni Souto Maior
Time de Neymar mantém histórico de silenciar diante da política em momentos cruciais. Marcello Casal Jr/ABr

A Seleção Brasileira quebrou o silêncio sobre a realização da Copa América no Brasil. Isso foi feito depois da vitória contra o Paraguai, pelas eliminatórias da Copa do Mundo, nesta terça-feira (8). A data para o posicionamento era conhecida, bem como o conteúdo era o esperado. Apesar de discordar da realização do torneio no país, eles vão disputar a competição. Até isso já era sabido. O histórico do futebol brasileiro nunca foi além disso quando o assunto envolve questão política. Os atletas, por aqui, parecem unicamente preocupados com contratos milionários.

“Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil”, diz trecho da carta, em tom muito distante do ventilado anteriormente. É mostra de que o selecionado amarelou da mesma forma que caiu diante da Alemanha naquele inesquecível e humilhante 7 a 1. Isso no mesmo dia em que o Brasil chegou a 477.307 mortes pela Covid-19.

É importante lembrar como chegamos a essa encruzilhada. Depois de Colômbia e Argentina desistirem da realização da Copa América, a Conmebol bateu na porta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Recebeu apoio e a garantia de que a competição ocorreria sem problemas no país com o maior número de mortes na América Latina. A guarida, lógico, provocou polêmica. Os infectologistas alegaram risco da chegada de novas cepas com seleções, comissões técnicas, jornalistas de todo o mundo e por aí vai.

Os jogadores fizeram chegar à imprensa a informação de que estavam incomodados e insatisfeitos. Na verdade, ficaram chateados com as gozações dos colegas de clubes europeus. Mas nada além disso. Dias depois, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, foi afastado do cargo por suspeita de assédio sexual e moral. Na esteira disso, os atletas divulgaram que jogariam a Copa América e agora divulgam uma carta que faz jus ao histórico alienado e alienante do futebol Brasileiro.

O time de Neymar não supera em nada o de Pelé em relação a posições políticas. Enquanto o Rei do Futebol calou diante das atrocidades do regime militar brasileiro, o selecionado atual faz o mesmo diante da mortandade da Covid-19. Um estudo realizado com a participação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) mostrou que 48% dos jogadores da Série A do Brasileirão tiveram Covid-19 no ano passado. Os jogadores dizem que não querem fazer política, mas aceitaram virar trunfo político do presidente.

A coisa aqui é bem diferente do que ocorre nos Estados Unidos. Lá, os jogadores da NBA aderiram aos protestos e atos em favor do “vidas negras importam”. Indo um pouco mais longe, é possível lembrar do posicionamento do lendário Muhammad Ali, que se recusou a lutar na guerra do Vietnã. Ele pagou um preço alto por isso na carreira, mas teve sua memória levada para a história. O selecionado brasileiro teria, agora, a mesma oportunidade, mas preferiu seguir o exemplo de Pelé: o de gênio dos gramados enquanto o Brasil segue literalmente para o buraco.

Confira a íntegra da carta dos jogadores

Quando nasce um brasileiro nasce um torcedor. E para os mais de 200 milhões de torcedores escrevemos essa carta para expor nossa opinião quanto a realização da Copa América.

Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil.

Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado para sua realização. É importante frisar que em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia e estamos presentes nas redes sociais. Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros.

Por fim, lembramos que somos trabalhadores, profissionais do futebol. Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde e amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à seleção brasileira.

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