Judiciário
Confira vídeo do Gaeco que mostra delegada e escrivão em combinação de valores para arquivar inquérito
23/04/2021 10:31
Suetoni Souto Maior
Dinheiro que teria sido recebido pelos suspeitos foi exposto na mesa da delegacia. Foto: Divulgação

O escrivão conversa com o policial rodoviário federal que ouve da delegada que a conclusão do inquérito que pesa contra ele será pela rejeição da denúncia. O ato contínuo da história é a entrega de um bolo de dinheiro com R$ 2,5 mil. Neste momento, a delegada se levanta e diz que essa parte é com o escrivão e deixa a sala. O passo seguinte é o flagrante da Operação Cara de Pau, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e pelo Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (Ncap).

A delegada Maria Solidade de Sousa e o escrivão Alexandre de Souza foram presos preventivamente nesta quinta-feira (13), em Alagoa Grande, sob a acusação de tentativa de extorquir o policial rodoviário. Eles são investigados pela prática de concussão. O nome do membro da Polícia Rodoviária Federal, que é investigado por furto, não foi revelado. Confira abaixo as imagens que estão em poder do Ministério Público da Paraíba.

Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão contra os suspeitos. A delegada Maria Solidade de Sousa e o escrivão Alexandre de Souza teriam cobrado R$ 5 mil de propina para “esquecer” a acusação contra o policial. A metade foi paga e, com autorização judicial, o Ncap e o Gaeco monitoraram o segundo pagamento, prendendo os acusados em flagrante. A abordagem foi feita no momento do recebimento do dinheiro. 

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos, sendo um na Delegacia de Polícia Civil de Alagoa Grande e dois nas residências dos acusados, em João Pessoa. Os investigados foram presos e conduzidos para a Central de Polícia em Guarabira, onde aguardarão a audiência de custódia. Os dois deverão usar tornozeleira eletrônica e vão cumprir prisão domiciliar. 

O nome da operação “Cara de Pau”, segundo o Ministério Público, é uma alusão ao entendimento de que os dois foram atrevidos a ponto de cometerem um ato de concussão dentro de uma delegacia, achando que não responderiam pela conduta. O crime de concussão está previsto no Artigo 316 do Código Penal, como o ato de exigir vantagem indevida, na qualidade de servidor público.

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