Executivo
Com ‘fundão eleitoral’, gastos de campanha facilmente vão superar recorde de 2014
17/07/2021 09:25
Suetoni Souto Maior
Onze partidos terão recursos superiores a R$ 200 milhões na campanha. Foto: Antônio Augusto/TSE

As campanhas eleitorais de 2018 e 2020 foram magrinhas em termos de despesas declaradas. O fenômeno foi resultado de um aperto de cinto ditado pelas reformas eleitorais no pós-2014, ano em que foram gastos oficialmente R$ 6,3 bilhões na campanha. Na época, como agora, havia a disputa de presidente, governador, senador e deputados estadual e federal. Era permitido o financiamento privado de campanha, o que ajudou nos gastos astronômicos. Agora, para 2022, só o financiamento público aprovado no Congresso destina R$ 5,7 bilhões para campanha.

Quando digo que facilmente será possível superar o ano de maior gasto é porque os postulantes ainda poderão receber financiamento de pessoa física. O montante aprovado, vale ressaltar, já corresponde a 90% do que foi gasto em 2014. Isso mostra as portas abertas para as supercampanhas, como ocorria em eleições anteriores ao movimento que preconizou campanhas mais espartanas como as de 2018 e 2020. Pelo menos 11 dos 33 partidos existentes vão receber valores acima de R$ 200 milhões para a campanha.

Os destaques ficam por conta do PSL e do PT, que elegeram as maiores bancadas nas eleições de 2018. Os dois partidos também tiveram os candidatos a presidente levados para o segundo turno, vencido por Jair Bolsonaro (ex-PSL) sobre Fernando Haddad (PT). A soma dos dois supera em muito a casa de R$ 1 bilhão, sendo R$ 567 milhões do PSL e R$ 566 milhões do PT. O volume recebido pelo antigo partido do presidente, vale ressaltar, é 189 vezes maior que o destinado ao pelotão de baixo, formado por partidos como UP e PSTU, que receberão R$ 3 milhões.

Confira o volume de recursos:

PSL R$ 567 milhões
PT R$ 566 milhões
MDB R$ 426 milhões
PSD R$ 384 milhões
PP R$ 384 milhões
PSDB R$ 377 milhões
PL R$ 352 milhões
DEM R$ 323 milhões
PSB R$ 308 milhões
PDT R$ 290 milhões
Republicanos R$ 283 milhões
Podemos R$ 218 milhões
PTB R$ 131 milhões
Solidariedade R$ 129 milhões
PSOL R$ 114 milhões
PROS R$ 104 milhões
Novo R$ 103 milhões
PSC R$ 98 milhões
Cidadania R$ 95 milhões
Patriota R$ 92 milhões
PCdoB R$ 87 milhões
Avante R$ 79 milhões
Rede R$ 79 milhões
PV R$ 57 milhões
PTC R$ 14 milhões
PMN R$ 3 milhões
DC R$ 3 milhões
PCB R$ 3 milhões
PCO R$ 3 milhões
PMB R$ 3 milhões
PRTB R$ 3 milhões
PSTU R$ 3 milhões
UP R$ 3 milhões

O volume de recursos destinado para a campanha do ano que vem, agora, vai depender da apreciação do presidente Jair Bolsonaro. Ele terá pela frente uma encruzilhada fatal para quem já está nas cordas junto à opinião pública. Se vetar o aumento, ficará mal com o Congresso, onde tem atualmente seus maiores aliados. Se sancionar, vai ficar mal com a população, pelo aval aos gastos astronômicos. O montante de R$ 5,7 bilhões, na visão dos analistas, fará com que o fosso entre os grandes e os pequenos partidos seja apenas potencializado.

Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni

Palavras Chave