Executivo
Com filiação, PT paga a Ricardo por apoio durante crises do impeachment e da prisão de Lula
01/10/2021 07:08

Suetoni Souto Maior

Jackson Macedo (C), ao lado de Ricardo Coutinho e Jeová Campos durante solenidade. Foto: Reprodução/Instagram

O slogan “ninguém se perde na volta” embalou a filiação do ex-governador Ricardo Coutinho ao PT, nesta quinta-feira (30), depois de quase duas décadas de militância no PSB. O filiado de agora é bem diferente daquele que rompeu com a sigla no começo dos anos 2000. Do deputado que foi catapultado aos cargos de prefeito de João Pessoa e governador da Paraíba, ao alvo da operação Calvário, do Tribunal de Contas e do Tribunal Superior Eleitoral. A relação de Ricardo e PT ao longo dos anos foi tumultuada. Acontece que neste meio tempo de amor e ódio, os últimos atos do ex-gestor foram de solidariedade com o antigo e atual partido.

Quando a ex-presidente Dilma Rousseff foi alvo de um impeachment, em 2016, Coutinho esteve entre os principais defensores da petista. Ele comprou briga com o próprio partido, na época, o PSB, que abandonou a base aliada petista. Àquela altura, o Partido dos Trabalhadores e suas lideranças eram os principais alvos da operação Lava Jato. Em meio à crise que se seguiu após tomar posse na cadeira de presidente, Dilma não resistiu e caiu. O então governador seguiu com ela até o fim e chegou a organizar protestos em favor da petista.

O mesmo foi feito pelo ex-governador em relação ao ex-presidente Lula. O petista era o favorito para vencer as eleições de 2018, mas foi tirado do páreo após condenação imposta pelo ex-juiz Sérgio Moro, que se tornou ministro do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após a eleição. Coutinho, naquele momento, também comprou briga em nome do ex-presidente. Fez isso até contrariando a orientação de grande parte dos socialistas. Em um dos episódios, foi visitar Lula na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, no Paraná.

Com o passar do tempo, a tempestade sobre os petistas seu sinais de fraqueza. As condenações impostas em decorrência da Lava Jato foram anuladas. O ex-juiz, que virou ex-ministro no ano passado, foi considerado suspeito na condução do processo e ficou desacreditado. O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que Moro não foi imparcial nos atos que resultaram na condenação de Lula. O ato contínuo disso foi que um a um, os processos vêm sendo arquivados. Com isso, o petista chega novamente forte para a disputa das eleições do ano que vem.

E é neste momento que Ricardo Coutinho mais precisa do pagamento pelos “favores” do passado. A preço de hoje, Coutinho está inelegível. Em tese, não terá como disputar as eleições do ano que vem. Ele precisa de um efeito suspensivo no Supremo para ter direito a disputar a eleição. Até mesmo no PT, poucos acreditam que isso vá acontecer. Além disso, os numerosos processos da Calvário, conduzidos pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, podem resultar em novas condenações. Assim como ocorreu em relação às contas de 2017, rejeitadas pelo TCE.

Consiga ou não ser candidato, Coutinho agora recebeu o pagamento pelo “favor” de antes. Isso não quer dizer, no entanto, que ele terá vida fácil dentro da sigla. Mas aí é desdobramento para outra história…

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