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“Cloroquina indiana”: médicos alertam contra banho de esterco de vaca para prevenir Covid
12/05/2021 11:15
Suetoni Souto Maior
Indianos banham-se com esterco e urina de vaca achando que assim terão a imunidade elevada. Foto: Reprodução/Vídeo/New York Post

Toda nação tem a Cloroquina que merece. A frase, parodiando Joseph-Marie Maistre, não é para falar de nada muito glamoroso, apesar da adaptação de frase do escritor francês. É para mostrar o cúmulo do absurdo revelado pela pandemia em vários países. O Brasil ficou mundialmente conhecido como o país da Cloroquina e da Hidroxicloroquina, que por pouco não passou a ter bula indicativa para o tratamento para a Covid-19. Agora, ganha os holofotes o exótico tratamento na Índia, com uso de esterco e urina de vaca.

É isso mesmo. Médicos e cientistas indianos estão enlouquecidos com a situação. Eles têm alertado a população para os riscos de propagação de doenças por conta do uso e abuso da “terapia”. As pessoas, acreditem, têm se banhado em merda e urina de vaca para se prevenir contra o novo Coronavírus. O animal é considerado santo na cultura hindu. Mesmo assim, não há um único estudo que aponte a efetividade da terapia na cura ou prevenção da Covid-19.

No máximo, o que se pode alcançar é o distanciamento social por causa do cheiro ruim. A pandemia na Índia, assim como acontece no Brasil, vem ceifando a vida de parte significativa da população. Lá morreram mais de 250 mil pessoas, um número tímido quando comparado ao Brasil, que ultrapassa 425 mil mortes. E olhe que a população indiana é seis vezes maior que a brasileira, com mais de 1,2 milhão de habitantes.

No estado de Gujarat, no oeste da Índia, religiosos têm ido a abrigos de vacas uma vez por semana para cobrir seus corpos com esterco e urina na esperança de que a prática aumente a imunidade contra o coronavírus ou os ajude a se recuperar. No hinduísmo, a vaca é um símbolo sagrado da vida e da terra, e durante séculos os hindus usaram esterco de vaca para limpar suas casas e rituais de oração, na crença de que as fezes têm propriedades terapêuticas e anti-sépticas.

Enquanto os médicos e cientistas alertam para a falta de evidências científicas no uso de esterco de vaca, o mesmo ocorre no Brasil em relação à Cloroquina. O tema tornou-se recorrente na CPI da Pandemia, no Senado. Nesta segunda-feira (11), o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, confessou que houve tentativa no ano passado de inserção da indicação para Covid-19 na bula da Cloroquina.

O episódio hindu mostra que o problema da Covid-19 vai além da racionalidade. Além do Brasil, só o governo da Venezuela defendem o uso da Cloroquina para o tratamento da doença. A mudança no governo nos Estados Unidos fez com que o país que chegou a defender o medicamento sem comprovação científica passasse a priorizar a vacinação. Com isso, o país está muito próximo de deixar a crise sanitária. Ou seja, só vacina, distanciamento social e uso de máscara salvam.

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