Executivo
Clã Cunha Lima, aos poucos, “exclui” Romero da disputa pelo governo
07/06/2021 20:14
Suetoni Souto Maior
Romero Rodrigues (D) tenta se viabilizar para a disputa das eleições de 2022, mas nome de Cássio também é lembrado. Foto: Divulgação

15 de novembro de 2020. Bruno Cunha Lima (PSD) é eleito prefeito de Campina Grande no primeiro turno. O padrinho político dele, Romero Rodrigues (mesmo partido), sai do pleito como nome forte para a disputa pelo governo do Estado. Só que sete meses depois e com uma denúncia da operação Calvário no meio, a perspectiva já não é tão cristalina. De lá para cá, os nomes de Pedro Cunha Lima e Cássio Cunha Lima, ambos do PSDB, ganharam espaço entre os políticos de oposição ao governador João Azevêdo (Cidadania). Ambos são vistos como potenciais candidatos.

O tom foi dado durante entrevista à rádio Arapuan, em João Pessoa, nesta segunda-feira (7), pelo deputado federal em exercício Rafael Pereira de Sousa, popularmente conhecido por Rafafá (PSDB). O suplente da sigla tucana defendeu que Pedro ou Cássio disputem o governo liderando a oposição. O primeiro é deputado federal e o segundo é ex-senador e ex-governador do Estado. Rafafá, inclusive, defende a união das oposições em torno de um projeto comum, coisa não alcançada em 2018, quando o atual governador foi eleito.

Enquanto suplente de Pedro, é lógico o interesse de Rafafá em uma eventual eleição do tucano. Mas a coisa não pode ser encarada apenas por este prisma. O fato é que desde quando deixou a prefeitura de Campina Grande, no ano passado, Romero submergiu e poucas vezes buscou holofotes. Há seis dias ele posou para foto ao lado do prefeito Bruno Cunha Lima e do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab (SP). Depois disso, voltou ao ostracismo. E tem motivo para isso acontecer: a falta de uma caneta na mão.

São sinais dos tempos. A equação finalizar um mandato bem sucedido = a boas chances na disputa da eleição seguinte deixou de ser conjugada com facilidade há muito tempo. Que o diga o ex-prefeito Luciano Cartaxo (PV), de João Pessoa, que também tenta se viabilizar para a disputa do governo em 2022. Alguém pode até dizer: “ah, mas Cartaxo não fez o sucessor e Romero fez”. É bem verdade, mas isso não é o suficiente. Ainda mais quando, nos bastidores, a informação é a de que a capacidade de Romero de influir na prefeitura é cada vez menor.

Em uma coisa Rafafá tem razão: as oposições só terão alguma chance no ano que vem se derem as mãos. A preço de hoje é difícil imaginar que isso vá acontecer de forma pacífica, já que não existe entre os oposicionistas ninguém com apoios suficientes para se destacar na disputa. Sim, é verdade que o “fato novo” ou o “imponderável” na disputa eleitoral é sempre uma possibilidade. Mas é verdade também que muitas vezes o cavalo passa sem estar selado e sem arreios e montá-lo é um risco.

O desafio de Romero, por isso, mesmo pertencendo ao mesmo clã, não é pequeno….

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