Judiciário
Casos de professores que recusam vacina são apurados pelo Ministério Público
12/07/2021 18:40
Suetoni Souto Maior
Promotores entraram com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra decreto estadual para garantir o retorno das aulas nas escolas públicas. Foto: Sumaia Vilela/ABr

Depois de receber denúncias da existência de professores que estariam recusando a vacinação contra a Covid-19, o Ministério Público da Paraíba acionou os promotores de todo o Estado para investigar os casos. As orientações foram repassadas para os que atuam nas promotorias de defesa da Educação, da Criança e do Adolescente. O pedido foi para que eles acompanhem as vacinações dos profissionais das redes pública e privada e que adotem providências em casos de quem se recuse ao comparecimento presencial, quando houver a retomada das aulas híbridas.

A medida está sendo adotada em razão de notícias de que alguns profissionais de ensino estão se recusando à vacinação, apesar de existirem doses de vacinas disponíveis para o grupo. “A vacinação é importante para a proteção de toda a sociedade, não sendo legítimas as escolhas individuais, que afetem gravemente os direitos de terceiros”, argumentou a coordenadora do Centro de Apoio Operacional às promotorias de Justiça de defesa da Criança e do Adolescente e da Educação (CAO CAE), Juliana Couto.

O Ministério Público também entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade para que o Tribunal de Justiça da Paraíba declare a inconstitucionalidade do artigo 8º do Decreto Estadual nº 41.396, de 2 de julho de 2021, que proíbe as aulas presenciais nas escolas das redes públicas em todo o Estado. A alegação é a de que a medida adotada pelo governo do Estado fere o princípio da isonomia, já que o retorno das aulas nas escolas privadas foi autorizado pelo mesmo decreto.

Conforme explicou Juliana Couto, é imprescindível que os profissionais de educação para quem o poder público já ofertou a vacina estejam imunizados e que as unidades de ensino adotem os protocolos sanitários (uso de máscaras, distanciamento, higienização das mãos e sanitização dos ambientes, por exemplo).

Recusa pode resultar em PAD

A promotora de Justiça explicou que a ideia do MPPB é fazer com que as secretarias municipais de Educação monitorem a vacinação dos profissionais da área e promovam ações de conscientização e esclarecimento sobre a eficácia, segurança e contraindicações dos imunizantes para sensibilizá-los sobre a importância de se vacinar contra a covid-19.

Com a retomada das atividades escolares híbridas (remotas e presenciais), a recomendação para os casos de negativa injustificada de retomada presencial ao trabalho, é no sentido de que a Secretaria de Educação adote as providências necessárias para instauração de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra os profissionais de ensino com vínculo precário e efetivo para fins de análise de ausência ao trabalho.

Em relação aos profissionais da rede privada ou da rede estadual de ensino, as secretarias deverão notificar a direção do estabelecimento e comunicar à Promotoria de Justiça local a ausência de êxito na vacinação.

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