Executivo
Cartaxo tenta “arrombar a porta” do PT ao buscar apoio de Ricardo para desenterrar candidatura
01/04/2024 16:26
Suetoni Souto Maior
Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo estiveram no mesmo palanque em 2022. Foto: Divulgação

Eis que a pré-candidatura do deputado estadual Luciano Cartaxo (PT) a prefeito de João Pessoa ressurge das cinzas. Essa é a leitura mais simples do último movimento do parlamentar para se manter vivo na disputa, depois de ter renunciado às prévias programadas pela sigla. Nesta segunda-feira (1º), o petista disse que vai procurar o ex-governador Ricardo Coutinho, do mesmo partido, em busca de apoio para ser ungido pela agremiação para a disputa do pleito deste ano.

O movimento de Cartaxo ocorre após uma sucessão de fatos curiosos. Primeiro, ele trabalhou para que a contenda interna fosse resolvida pela Executiva Nacional do partido. Temia ser derrotado pela também deputada estadual Cida Ramos, que construiu em torno de si maior apoio entre os colegas. O estímulo para voltar ao jogo foi dado na semana passada, através de um pronunciamento do deputado federal Luiz Couto no Congresso. Couto defende uma eventual candidatura de Luciano.

É bom lembrar que há muitos anos Couto toma o rumo político que for indicado por Ricardo Coutinho. O ex-governador rompeu com Cida Ramos, último nome que restou na disputa interna do PT, e vinha adotando postura discreta na corrida eleitoral deste ano. Essa discrição cresceu depois que ele tentou levar o partido para o apoio a Pedro Cunha Lima (PSDB) nas eleições de 2022, vencidas pelo governador João Azevêdo (PSB), aliado do presidente Lula (PT). O gesto minou a liderança de Coutinho na sigla.

A esperança meio desesperada de Cartaxo é voltar ao rol dos nomes que poderão ser apoiados pelo partido. Hoje, os considerados são Cida Ramos, no caso de candidatura própria, e Cícero Lucena (PP), na hipótese de uma composição. O cenário para todos os casos é tortuoso. Para qualquer caminho que seguir, o partido vai rachado. Há quem fale até na possibilidade de aliança com o deputado federal Ruy Carneiro (Podemos), o que geraria grande surpresa.

O grau de indefinição no partido fez com que a Executiva Nacional assumisse a responsabilidade pela definição da tática eleitoral na capital paraibana. O que não falta em Brasília, com isso, é lobby para a definição da aliança do partido. O ressurgimento de Cartaxo no bolo, no entanto, apenas aprofunda o fosso.

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